| Telona
- Homem de Ferro - Abril/Maio de 2008 |

Homem
de Teflon
O
filme é ótimo, o elenco afiado, a armadura fantástica
e Robert Downey Jr. rouba a cena cada vez que aparece. Isso dito,
há um lado negativo no filme Homem de Ferro, que fez sua
estréia neste dia 30 de abril em todo o país: o traje
de Tony Stark no filme provavelmente tem teflon, já que alguns
dos defeitos que dão ao personagem original boa parte do
seu charme não grudaram na versão para a telona.
Downey
Jr. veste muito bem a pele de multimilionário “difícil”
criado sob a tutela de Stan lee e Jack Kirby em 1963. Stark não
se relaciona bem com ninguém a não ser que tenha interesses
muito fortes para isso. Também pode ser observado no filme
que, diferentemente da maioria dos heróis, o homem de armadura
só luta contra “o mal” quando a coisa se torna
pessoal, ou seja: se não o incomoda, não é
com ele.

Mas,
provavelmente porque a obra destinada a um publico mais amplo, que
inclui muitas crianças, o mais politicamente incorreto do
herói fica de fora. O alcoolismo de Tony Stark, por exemplo,
é, talvez, insinuado. Sua atitude canalha com as mulheres,
a quem usa como lenço de papel, é suavizada a ponto
de tornar-se quase sedutora.
E ainda
que o milionário continue a ser basicamente um bastardo egoísta,
aparecem no filme uma certa consciência e um patriotismo que,
nos quadrinhos, está muito mais ligado aos lucros que as
empresas Stark podem conseguir do que a qualquer outra coisa.
É
isso tudo que faz do Homem de Ferro um personagem interessantíssimo:
os principais vilões são internos, a luta é
mais contra si mesmo do que contra os inimigos, o homem dentro da
armadura conta mais do que a própria.
Ao
ler tudo isso, talvez o leitor fique com a impressão de que
o filme não faz jus ao herói. Mas faz: a Marvel acertou
em cheio em sua estréia como produtora. Downey Jr. está
soberbo, o filme respeita o personagem e a inteligência do
expectador, a quem tem tudo para conquistar .
E ainda
deixa pontas soltas que podem trazer à cena vilões
clássicos como o Mandarim e até mesmo o já
citado alcoolismo na continuação que, claro, virá
por aí. Ah, e até a musiquinha do desenho (des)animado
dos anos 60 está na trilha sonora, por sinal um espetáculo
à parte.
O fato
é que o Tony Stark do filme ainda é, como já
disseram alguns colegas na área dos quadrinhos (aê,
pessoal do Omelete!), um “adorável escroto”.
Mas que faltou alguma coisa do charme canalha e manipulador do personagem,
isso faltou. O que não impede que a platéia vibre
quando Downey Jr. afirma: “Eu sou o Homem de Ferro.”

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