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| Telona
- Homem-Aranha 3 - Maio de 2007 |
Com
grandes poderes vêm...
encrenca
da grossa!

Três
vilões de uma vez, relacionamento amoroso instável,
problemas de ego e tudo (às vezes literalmente) desmoronando
na vida de Peter Parker, com ou sem máscara. Ainda que muita
gente esteja afirmando que Homem-Aranha 3 (estréia na sexta-feira,
4 de maio) não é o melhor da trilogia, o filme com
certeza segue a risca a
fórmula do personagem criado em 1962: desgraça
pouca é bobagem na vida do herói, mas ainda assim
é preciso tentar fazer o melhor, afinal, “ com grandes
poderes vêm grandes responsabilidades”.
O
herói começa este terceiro filme mais habituado aos
poderes e aventuras do Aranha, o que não impede que logo
de cara ele se veja em maus lençóis ao enfrentar uma
nova versão do Duende Verde, ninguém menos que seu
ex-amigo Harry Osborn. Filho do duende original, o psicótico
Harry culpa Parker/Aranha pela morte do pai e, com “equipamento
duendístico” aprimorado, dá trabalho ao Aranha
em uma bela batalha pelos céus de Nova York. Um detalhe para
os fãs de HQ: originalmente, Harry deveria ser aqui o Duende
Macabro dos quadrinhos.
No
entanto, o diretor Sam Raimi optou por um visual/vilão já
apelidado de “Duende Verde Jr”.
Na seqüência, os espectadores entram no que deveria ser
a nada mole vida do adolescente Peter Parker: o fotógrafo
concorrente (e desleal) Eddie Brock atrapalhando sua vida profissional,
uma crise de relacionamento com Mary Jane (ela mesmo em crise pessoal),
as preocupações de sempre com Tia May, mas...espere
aí.
Em
vez do angustiado e preocupado Peter de sempre, o adolescente soberbamente
interpretado por Tobey Maguire parece nem estar prestando muita
atenção ao que acontece em sua volta. Na verdade,
pela primeira vez o Aranha aparentemente está mais preocupado
com si mesmo, com a fama e com a atenção que desperta
em uma certa Gwen Stacy. Será que com grandes poderes vêm
também um grande ego?
Ledo
engano, trata-se, claro, da influência de um misterioso uniforme
preto que, já sabem não só os fãs como
qualquer um que viu os trailers, trata-se de Venom, um alienígena
parasita que escolhe Parker como hospedeiro. O “uniforme vivo”
traz vantagens ao herói: o torna mais forte, mais ágil,
evita a necessidade de se trocar (imita qualquer aparência).
Mas o torna mais agressivo, violento e egoísta.
Quando
percebe a influência nefasta e se livra do uniforme (também
como já sabem 99% da humanidade), o parasita se une a Eddie
Brock, gerando um novo vilão.
E
(já dissemos que desgraça pouca é bobagem?),
o Aranha terá de enfrentar ainda o Homem Areia, o bandido
que supostamente matou Tio Ben, agora transformado em um mutante
que pode transformar o corpo em areia e moldá-lo como quiser.
O
Homem Areia, por sinal, é um dos pontos altos do filme. Não
só pelos efeitos especiais (neste quesito, Venom rouba a
cena), mas pela história do personagem: um sujeito que não
é realmente mal, mas sim uma vítima das circunstâncias
e de uma série de passos errados. Interpretado por Thomas
Haden Church (o ótimo ator de Sideways), este vilão
é em muitas formas o contraponto do Aranha e, vale lembrar,
nos quadrinhos acabou se regenerando.
Por
fim, o bom humor do Aranha mais uma vez está presente. Apontada
como uma das características que mais atraem o público
de todas as idades, a mania de Parker de fazer gracinhas nos piores
momentos, como forma de defesa ou não, aparece na película
alternando os bons e péssimos momentos de sua vida. Se bem
que o mais engraçado mesmo é o desajeitado Maguire
em uma seqüência que usa um clássico de James
Brown...
Com
tudo isso de bom, porque muita gente está dizendo que não
é o melhor dos três filmes? Primeiro porque há
quem reclame de muitos subplots, isso é, historinhas paralelas
no roteiro.
Segundo
porque há quem tenha ficado mal acostumado com os dois primeiros,
que vieram em uma escala crescente, e esperavam deste algo muito
melhor que os anteriores. Não é muito melhor, mas
com certeza Spiderman 3 é muito bom e merece ser
visto.
Haverá
um quarto filme? Difícil dizer. Muita gente diz que sim e
até se especula que Peter Jackson (de O Senhor dos Anéis
e King Kong) o dirigiria, já que Raimi estaria interessado
em transpor O Hobbit, outra obra prima de Tolkien,
para a telona – numa troca esdrúxula de papéis
entre os diretores. Mas a verdade é que ninguém sabe
e pouco importa: o negócio, agora, é curtir esse ótimo
terceiro filme.
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