| 
|
| Telona
- Motoqueiro Fantasma - Março de 2007 |

Como
eu queria uma
moto dessas...
Não
que o filme não seja bom, mas o principal principal comentário
feito pela galera que vai assistir ao Motoqueiro Fantasma (a maioria
dos quais jovens do sexo masculino) é exatamente esse. Afinal,
entre os efeitos especiais pra lá de legais utilizados no
filme, os que fazem da moto do personagem um verdadeiro inferno
sobre rodas deixam qualquer (desculpem, não vou resistir
ao trocadilho) Hell Angel com água na boca.
E
é muito bom que a maioria dos espectadores seja composta
por jovens do sexo masculino, porque o filme é exatamente
para este público. Nas mãos do diretor Mark Steven
Johnson (o mesmo que detonou outro ícone da Marvel, Demolidor,
quando fez a versão para o cinema), o Motoqueiro é
aventura pura, daquelas em que não há muito o que
pensar, e com direito a frases engraçadinhas (de sempre)
trocadas entre personagens.
OK,
é preciso admitir que Motoqueiro Fantasma (no original,
Ghost Rider) nunca foi mais que um personagem de segunda linha
da Marvel. Alias, um não: três. O primeiro personagem
a ter o nome foi um cowboy do universo Marvel, criado em 1949, que
depois teve o nome mudado para Night Rider e, posteriormente, Phantom
Rider. A palavra “rider”, aqui, cabe como cavaleiro
e não motoqueiro, já que se tratava de um vaqueiro
que fingia ser fantasma.
Já
em 1972, a Marvel lançou o primeiro Motoqueiro Fantasma:
Johnny Blaze, um motoqueiro de circo que, para salvar seu mentor
da morte, faz um trato com o demônio Mefisto, que juntou a
alma do rapaz com a de um demônio de cabeça em forma
de crânio flamejante e com uma moto em chamas.
Usando
um temível "olhar de penitência", o Motoqueiro
manda malfeitores para o inferno. Lá eles engrossarão
as hordas do capeta para uma futura luta com o paraíso. Em
1990, a Marvel lançou ainda um
terceiro Motoqueiro, Danny Ketch, mas é a versão
Johnny Blaze que ganhou as telonas, com Nicolas Cage no papel principal.
No
roteiro, o diretor Johnson e sua equipe mudaram um pouco a história
original: Blaze faz o pacto para salvar o pai e (claro, ou não
seria Hollywood) uma garota por quem é apaixonado. Além
disso, a luta de Mefistófeles é contra o filho, um
demônio rebelde. Aliás, vale citar (para quem tem um
pouco mais de cultura cinematográfica), que Mefistófeles
é interpretado por Peter Fonda, que ficou famoso em outro
filme sobre motos: Easy Rider. Por sinal, pena que não
pegaram mais deste antigo filme. Se Nic Cage aparece ao som de Born
to be wild, de Steppen Wolf, o filme já ia
melhorar 50%...
Mais
uma vez: não é que o filme seja ruim, mas é
que, em tempos de Batman Begins, Homem-Aranha e X-Men (pra não
mencionar 300 e Sin City), os espectadores ficaram acostumados a
adaptações mais inteligentes, com mais conteúdo.
E a saída encontrada por Johnson foi a mais fácil:
apostar nma aventura e no visual bacana do Motoqueiro e sua máquina
dos infernos.
Ainda
assim, Nic Cage consegue arrebanhar uma certa simpatia no personagem,
com seu estilo cool de sempre...
Um
fã dos quadrinhos
Nicolas Cage é um fã ardoroso e declarado de quadrinhos,
motivo pelo qual sempre quis interpretar um heróis das HQs
na telona. Para se ter uma idéia da paixão de Cage,
o ator é fanático por gibis e adotou o sobrenome de
um outro herói de segunda linha da Marvel. Nicolas Kim Copola,
seu verdadeiro nome, não queria usar o sobrenome famoso em
seu início de carreira, por isso se rebatizou em homenagem
a “Luke Cage, herói de aluguel”, um de seus personagens
favoritos da editora americana.
Por
sinal, um dos principais fatos que levou Nicolas a se divorciar
de Lisa Presley foi a exigência dela de que ele se livrasse
de sua imensa coleção de quadrinhos. Nick o fez, mas
se arrependeu depois. Se tivesse o olhar de penitência do
Motoqueiro Fantasma, com certeza teria corrido atrás da moça
para puní-la por este pecado imperdoável.
|