|

|
| Quadrinistas,
Graças a Deus !!! |
Você
foi um bom homem, Charlie Schulz
"Parece
estar além da compreensão das pessoas que alguém possa nascer para
desenhar tiras cômicas, mas acho que este é o meu caso", dizia Charles
Monroe Schulz, o criador de Peanuts. "Até onde posso recordar, minha
ambição sempre foi a de fazer uma tira cômica diária." E isso foi
exatamente o que Schulz fez todos os dias, desde o lançamento de
Peanuts - leia tudo sobre Snoopy e sua turma no item Snoopy,
no quadrindex - em sete jornais no dia 2 de outubro de 1950.
Nascido
em St. Paul, Minnesota, no dia 26 de novembro de 1922, Schulz foi
apelidado de "Sparky" por causa do cavalo Barney Google "Sparkplug",
que ele adorava. Sua fascinação pelos comics começou bem
cedo, quando lia as tiras dominicais em quatro jornais diferentes,
junto com seu pai, todas as semanas. Com o incentivo de seu pai,
um barbeiro, e de sua mãe, uma dona-de-casa, Schulz se inscreveu
num concurso de desenhos por correspondência, no que são hoje as
Escolas de Instrução em Artes de Minneapolis.
Sua carreira como cartunista foi interrompida em 1943, quando foi
chamado para o exército e embarcou para a Europa para lutar contra
a Alemanha. Depois de sua volta, Schulz entregou seu primeiro trabalho
em tira cômica à Timeless Topix, uma revista de desenhos animados
católica. Logo depois, arrumou um segundo trabalho como professor
de Ensino de Artes. A primeira oportunidade para Schulz veio em
1947, quando vendeu um desenho chamado "Li'l Folks" para o St. Paul
Pioneer Press. "Li'l Folks" foi publicado semanalmente por dois
anos e, quando Schulz pediu para que a tira fosse diária, acabou
sendo despedido. Em 1948 vendeu um painel de tira cômica para o
Saturday Evening Post e venderia mais 15 produções entre 1948 e
1950.
Também em 1950, depois de muitas negativas pelo correio, Schulz
tomou um trem de St. Paul para New York com muitos desenhos para
uma reunião com a distribuidora United Feature Syndicate. No dia
2 de outubro desse ano, Peanuts, que recebeu esse nome da distribuidora
(Schulz não gostou), foi lançado em sete jornais.
Quando
perguntado se achava que a tira seria um sucesso, Schulz respondia:
"Tinha certeza que iria durar e, na verdade, quando foi lançada
pensei: estarei desenhando isto para o resto da minha vida".
TOQUE
PESSOAL
Diferentemente
de muitos cartunistas, Schulz desenhou cada tira cômica sem a ajuda
de um grupo de artes. "Por que os músicos compõem sinfonias e os
poetas escrevem poemas?", perguntava. "Fazem isto porque a vida
não significaria nada para eles se não o fizessem. É por isso que
desenho as tiras. É minha vida".
Entre muitas honrarias, Schulz recebeu dois prêmios Reuben da Sociedade
Nacional dos Cartunistas (Melhor Cartunista e a Melhor Tira Cômica
Humorística) e foi incluído na lista dos Cartunistas Mais Famosos.
Schulz também escreveu os diálogos e as histórias para os especiais
de televisão, ganhando cinco Prêmios Emmy e dois Prêmios Peabody.
O cartunista também participava de todas as atividades das publicações
e programas de licenciamento de Peanuts através da United Media
Licensing em New York. Sua companhia, Creative Associates, foi formada
em 1970 para administrar seus negócios e ajudar a manter os padrões
de alta qualidade relacionadas a Peanuts.
Apesar da tira cômica não ser mais desenhada desde janeiro de 2000,
quando Schulz anunciou ao mundo que estava com câncer, 2600
jornais continuam a publicar as antigas tiras (a republicação
começou com tiras dos anos 70, consideradas um marco por
terem introduzido uma série de personagens).
Novas artes para mershandising e licenciamento, além de desenhos
animados, continuam a serem desenvolvidos pelos parceiros e discípulos
de Schulz, que aprenderam com ele o dom de "dar a vida" a seus personagens.
Novas tiras, no entanto, foram proibidas pelo próprio autor antes
que ele morresse, em 13 de fevereiro de 1999, vítima do câncer.
Charles Monroe Schulz vivia com sua mulher, Jeannie, em Santa Rosa,
na Califórnia, e deixou cinco filhos e milhares de órfãos, além
de uma brilhante obra.
|
|