Quadrinistas, Graças a Deus !!!

Ely Barbosa, o pai da Turma da Fofura

O Brasil perdeu numa sexta-feira, 19 de janeiro de 2007, um de seus mais talentosos artistas do traço: Ely Barbosa. Criador de personagens que marcaram época - como, entre outros, a Turma da Fofura, Patrícia e os Amendoins e os Tutti Frutti - Ely nasceu em 1937 e começou a desenhar aos sete anos, em sua cidade natal, Vera Cruz.

Para o grande público, os trabalhos do desenhista ficaram conhecidos nos anos 70 e 80, com destaque para a parceria feita com Silvio Santos - na antológica série “Sílvio Santos conta histórias”, na qual o apresentador era locutor de contos de fada estrelados por Dentinho, Lili e Cacá – e com a TV Tutti-Frutti, exibida na rede Bandeirantes.

Além dos próprios personagens, Ely Barbosa era responsável pelas edições brasileiras dos gibis da Hannah Barbera (editora Globo) e dos Trabalhões (Bloch Editora), entre outros inúmeros trabalhos desenvolvidos no estúdio que mantinha até hoje. “Nunca perdi uma concorrência”, costumava dizer, acrescentando ter orgulho de manter um estúdio com quinze profissionais trabalhando exclusivamente com desenho.

Entre os que passaram pelo estúdio de Barbosa está o premiado cartunista Bira Dantas, que conta ter aprendido muito com o velho mestre. “Trabalhei no estúdio do Ely de 1979 a 1982, quando ingressei na imprensa sindical. Era um profissional extremamente competente, muito paciente com quem trabalhava com ele e sempre dava muitas dicas. Foi no estúdio do Ely que publiquei minhas primeiras páginas em quadrinhos Gibi dos Trapalhões”, conta Bira.

Irmão do novelista Benedito Ruy Barbosa, Ely estava com 67 anos e foi vítima de um derrame. Sua grande tristeza era a falta de reconhecimento. “Eu fiz e faço um trabalho que ninguém faz. O que me falta é reconhecimento”, disse em uma de suas últimas entrevistas, publicadas no livro Operação Cartum, à jornalista Michela Yaeko. Lamentava o fato de a Globo não lhe abrir espaço, apesar de Roberto Marinho ter sido seu fã declarado, e de seu amigo Sílvio Santos não lhe dar atenção e reconhecimento que julgava merecidos.

Se não tinha espaço na mídia, porém, Ely Barbosa conquistou um espaço eterno nas mentes e corações de pelo menos duas gerações que nunca esquecerão as aventuras de Lili e Dentinho, as brigas e piadas do Gordo e sua Turma, as sacadas dos Amendoins, do abacaxi Ananias e toda a turma de frutas e vegetais dos Tutti Frutti. Como sempre acontece com os grandes, Ely Barbosa se foi (talvez para fazer companhia a Joseph Barbera, outro grande desenhista que foi para o andar de cima há cerca de um mês). Mas seu trabalho permanecerá, inesquecível.

Saiba mais sobre Ely Barbosa no site do autor.