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Quadrinistas,
Graças a Deus - Janeiro de 2005 - Especial Will Eisner
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Um
relato pessoal...
Falei
com Will Eisner a primeira vez em 1996. Já o tinha visto anteriormente
em uma de suas seis visitas ao Brasil, mas então eu era muito adolescente
e muito tímido para me aproximar daquele que era um deus no mundo
dos quadrinhos.
Uma
pena, pois Willie, como os pais lhe apelidaram na infância, era
de uma humildade e simpatia que só os grandes possuem. Naquela conversa
por telefone - ele na Flórida e eu na antiga redação do Correio
popular de Campinas, na avenida Norte-Sul - Eisner me contou tudo
o que eu queria saber sobre sua obra que estava sendo lançada no
Brasil, No Coração da Tempestade. E também quis saber sobre como
andavam Ziraldo e Maurício de Sousa, que, me revelou, eram seus
ídolos brasileiros.
Também
foi crítico em relação aos quadrinhos da década de 90 - "90% de
toda a literatura é lixo" -, mas ressaltou que havia grandes nomes,
como Frank Miller, Moebius e Neil Gaiman, além de demonstrar otimismo
com o futuro das HQs: "Elas estão melhorando, estão ficando mais
maduras e sofisticadas, assim como seu público".
Mas
o que mais me chamou atenção em Einser, além de sua paciência para
escutar a mesma pergunta várias vezes ("estou meio surdo por causa
da idade, dizem que tenho 79 anos..."), foi a paixão pelos quadrinhos
e a generosidade com aqueles que dividem com ele esta paixão. Vendo
que sabia bastante de sua obra e das HQs em geral, perguntou o que
eu fazia além de ser jornalista.E eu lhe disse que pesquisava quadrinhos
e, envergonhado, que fazia uns rabiscos de vez em quando (naquela
época, "Só
Dando Gizada" nem existia; trabalhava no que veio
a ser "O Bosque das Campinas").
Ele,
então, me incentivou a continuar e até disse para lhe enviar alguns
trabalhos, pois gostaria de conhecer e , se eu quisesse, faria algumas
observações a respeito. Agradeci e nunca mandei nada, por falta
de tempo ou vergonha. Guardei e guardarei para sempre, no entanto,
suas gentis palavras, sua generosidade e todos os seus magníficos
quadrinhos, dentre os quais me orgulho de ter uma edição com a famosa
assinatura Will Eisner.
Em
determinada parte da entrevista, Willie, você me disse que Spirit
não era um super-herói porque você não acreditava em vilões ou inimigos.
O inimigo é a vida, você disse, é com ela que nós, humanos, batalhamos
diariamente. Parabéns, meu amigo, você venceu a batalha e sua vitória
é de todos nós.
Djota
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