Os Filhos de Barks
Tio
Patinhas (Uncle Scrooge) - O quaquilionário mais famoso do mundo foi
criado em 1947, na história Um Conto de Natal, baseada em um texto do escritor
Charles Dickens. No início era um personagem secundário, mas aos poucos caiu
no gosto popular e ganhou luz (e revista) própria. Metido em todo tipo de odisséia
para ganhar - ou proteger - sua fortuna, enfrentando empreendedores rivais ou
até bruxas e protegendo sua primeira moedinha (a número 1), o pato apareceu
pela primeira vez no Brasil justamente no primeiro número do Pato Donald, em
julho de 1950, com o nome de Patinhas McAnjo.
Gastão
(Gladstone Gander) - O sujeito mais sortudo da face da Terra (e possivelmente
o mais metido e almofadinha) surgiu em janeiro de 1948, já irritando Donald
com sua interminável boa fortuna. Gastão sempre ganha rifas, sorteios, brindes...tudo.
Barks preferia usar o primo de Donald em histórias que precisavam de um antagonista
em vez de apelar para vilões tradicionais. A esposa do quadrinista, Gare, odiava
o ganso e muitas vezes brigava com o marido por causa do desfecho das aventuras.
Escoteiros
Mirims (Boy Scouts) - Em 1950, Barks resolveu transformar os sobrinhos
do Pato Donald em escoteiros, possibilitando uma química totalmente nova entre
o herói azarado e Huguinho, Zezinho e Luizinho. Dotados de um manual que sempre
tem de tudo, os escoteiros fizeram tremendo suceso entre adultos e crianças.
Um detalhe curioso das histórias são as medalhas dadas para as atividades mais
loucas e as siglas para designar o grande C.H.E.F.E. (Combatente Heróico, Enérgico,
Fiel e Esperto, por exemplo).
Irmãos
Metralha (Beagle Boys)
- Os três irmãos surgiram oficialmente em 1951, mas umm ano antes, na história
O Papagaio Contador, Barks já havia desenhado bandidos muito parecidos. Sempre
atrás da fortuna de Patinhas, os bandidos 617, 671 e 176 acabaram ganhando uma
imensa família nas mãos de outros autores, com integrantes de características
peculiares como o Vovô Metralha e o Azarado (1313), e até mesmo antecedentes
bandidos em todas as épocas.
Professor
Pardal (Gyro Gearloose) - O inventor maluco Pardal, que na verdade é
um frango e não um passarinho, surgiu em 1952 e, segundo Barks, não era para
se tornar um personagem fixo. "Todo cartunista desenha um inventor maluco um
dia, mas eu pretendia usar o Pardal apenas eventualmente, porque ele é muito
alto, o que torna difícil colocá-lo no mesmo quadrinho em que aparecem os patos",
contava Barks, que afirmava que, assim como o criador do Lampadinha, também
tinha veia de inventor.
Maga
Patalógika (Magica de Spell)
- Uma morena sedutora, verdadeira Femme Fatale que sonha em conseguir a moeda
número 1 do Tio Patinhas para derretê-la no Monte Vesúvio e fazer um talismã.
Barks criou a feiticeira de origem italiana - descendente da legendária Circe
da mitologia grega - em 1961, inspirada em Morticia Adams, do seriado americano
A Família Adams.
Patacôncio
(John D. Rockerduck) - Carl Barks criou o personagem em 1961, mas utilizou-o
apenas em uma história (Gasolina Superzum, publicada no especial do Donald 50
anos de Brasil). Patacôncio é um milionário desonesto e aparecido, que faz de
tudo para provar que é mais rico que Patinhas, mas quase sempre acaba comendo
o próprio chapéu de raiva.
Margarida
(Daisy) - A simpática patinha não é filha legítima de Barks, mas com
certeza foi adotada por ele. Na verdade, Margarida apareceu pela primeira vez
em 1940 (um protótipo já havia surgido em 1937, como uma mexicana chamada Donna),
mas só a partir da década de 50 a personagem começou a crescer, pelas mãos de
Barks. Na concepção do autor, Margarida era uma personagem secundária, charmosa
porém fútil e autoritária, cuja vida se resumia basicamente a namorar Donald
(ou a ser alvo da disputa entre ele e Gastão), e a participar de rifas, convescotes
sociais, bailes à fantasia e eventos beneficentes. No final dos anos 80, o núcleo
de criação Disney da Editora Abril reformulou a personagem, dando a ela uma
personalidade mais ativa, feminina e dinâmica.
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