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| Quadrinistas,
Graças a Deus !!! |
Angeli
sem crise
Em
31 de agosto de 1956 nascia na cidade de São Paulo um garotinho
que se tornaria um de seus mais significativos cidadãos:
Arnaldo Angeli Filho (lê-se "Ângeli", com
ênfase no "An" - os fãs é que transformaram
o sobrenome em Angelí, que ele aceita de bom grado). Desde
pequeno, Angeli mostrava duas características que marcam
seu estilo até hoje: o bom humor e o amor ao, digamos, lado
marginal do sistema. "Não dá nem pra contar que eu fui à escola.
Fiz o primário e entrei para o ginásio com baseado na boca , cabelo
nas costas e aí fudeu. Fiz quatro vezes o primeira série ginasial
em um colégio do Estado, quatro vezes...", conta.
Como resultado, acabou sendo jubilado (em bom português, expulso)
da escola quando ainda tinha por volta de 14 anos. "Como já
desenhava, já tinha publicado um desenho no Pasquim, já tava no
crime, falei: agora fudeu, não vou mais voltar na escola. De certa
forma foi uma decisão acertada porque com 27 anos eu já estava numa
postura profissional que com 27 as pessoas estão começando a pensar
a ter. Ao mesmo tempo às vezes me arrependo de não ter continuado
a estudar... mas fui aprendendo a escrever direito a ser mais claro
no texto trabalhando, fazendo... Se bem que ainda hoje na hora de
fazer conta é um problema (gargalhadas)."
A
decisão de investir na carreira, porém, mostrou-se
acertada. No início da carreira, Angeli publicou em várias
revistas (não apenas de humor, mas publicações
"sérias" como a extinta "Senhor") , produções
underground e participou - e vencido - algumas edições
do renomado Salão de Piracicaba.
Em 1973 o cartunista começou a trabalhar na Folha de São
Paulo. O talento do cartunista atingiria então sua consolidação
e surgiria nas páginas do jornal um verdadeiro cronista da
vida paulistana. Por meio de uma tira que batizou de "Chiclete
com Banana", Angeli começou a lançar personagens
que retratavam com perfeição os "tipinhos"
que se espalhavam pelo cotidiano da Capital paulista - e também
por outras cidades brasileiras. Assim surgiram o punk Bob
Cuspe,
os "hippies velhos" Wood & Stock (que por sinal devem
virar filme em breve), o egocêntrico Walter Ego, o jornalista
Benevides Paixão, os adoidados Skrotinhos, o machista Bibelô
e muitos outros.
A
tira fez tanto sucesso que em 1985 era lançada a revista
Chiclete com Banana, com uma série de aventuras reunidas
dos personagens.
Entre elas, as de uma personagem criada por Angeli em 1984 e que
se tornaria uma verdadeira paixão nacional: Rê Bordosa,
uma garota típica dos anos 80 que adorava bebida (em especial
vodka), sexo e baladas intermináveis. Rê fez tanto
sucesso que, em 1987, quando Angeli resolveu matá-la (na
clássica aventura "A Morte da Pôrraloca")
recebeu protestos de centenas de leitores e de várias personalidades,
de Ignácio de Loyoloa Brandão a Rita Lee e Jô
Soares.
Apesar de morta no Brasil, a personagem chegou a ter suas HQs publicadas
na Itália, com o nome de Ana Barbera (um trocadilho que mistura
o nome de um vinho barato e os nomes dos grandes animadores que
criaram os Flintstones). Rê Bordosa, por sinal, não
foi a única "cria" de Angeli a circular pela Europa.
O cartunista teve trabalhos participando de salões de humor
europeus e colaborou com as revistas Linus, de Milão,e El
Vibora, de Barcelona, além do jornal Notícias de Lisboa.
Colaborou, ainda, com a revista Humor, de Buenos Aires.
Atualmente,
Angeli - que também já recebeu vários prêmios
HQMix, o "Oscar" brasileiro dos quadrinhos - trabalha
para a Folha de São Paulo (suas tiras sào distribuídas
para jornais de todo o Brasil pela empresa) e para o provedor Universo
on Line (UOL), onde inclusive chegou a ensaiar uma volta de Rê
Bordosa (na verdade, um fantasma da pôrraloca apareceu saindo
de um micro de um nerd, mas Angeli ressalta: foi só uma brincadeira,
ela vai permanecer morta). O autor também está (re)
lançando uma série de livros contendo histórias
reunidas de seus personagens, pelo selo "Sobras Completas"
(um dos últimos exemplares lançados foi Luke e Tantra),
da Devir Livraria. Por fim, Angeli tem se dedicado a "entender
melhor a Internet", na qual planeja lançar um megasite,
e a dar uma força para a banda de seu filho, Pedro, que por
sinal usa um eventual piercing no nariz, a la Bob Cuspe. E é
a cara do pai.
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