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| Quadrinistas,
Graças a Deus !!! |
Adão,
o pai da Aline
Adão
Iturrusgarai nasceu em 1965, na cidade de Cachoeira do Sul (no Rio
Grande do Sul) e desde pequeno já começou a desenhar.
Aos 16 anos, publicou seus primeiros quadrinhos no Jornal do Povo,
publicação de sua cidade natal. Um ano depois, em
1982, mudou para Porto Alegre, onde foi cursar Artes Plásticas
e Publicidade e Propaganda. Em 84 chegou a ocupar o cargo de diretor
de arte de agências de publicidade em Porto Alegre, mas acabou
abandonando ambos os cursos universitários em 1987, quando
decidiu viver só dos desenhos que fazia. "Editei a revista
Magazine e publiquei alguns cartuns no jornal Pasquim Sul, mas não
deu muito certo", relembra Adão.
Talvez por isso, Adão aceitou um cargo na assessoria de imprensa
na prefeitura da capital gaúcha em 1988. Em 89, porém,
as coisas começaram a mudar. Naquele ano, Adão - que
já começava a ser conhecido como um dos precursores
da escola gaúcha chamada de "Quadrinho Chinelão" (maiores explicações
só junto aos próprios gaúchos) - venceu o Salão
Internacional de Humor de Piracicaba e começou a editar a
revista Dumdum.
A revista fez sucesso e chegou a ser publicada no Japão.
Ao mesmo tempo, Adão
foi processado por motivos políticos graças a seus "escritos obscenos"
(o autor ganhou a causa, para a sorte dos leitores brasileiros).
Em
1990, Adão resolveu tentar a sorte no Exterior e mudou-se
para Paris. Na cidade luz, publicou nas revistas Flag e Chacal Puant.
Em 1992, voltou para São Paulo. Nesta época, começou
a publicar personagens que o tornariam mais conhecido frente ao
público paulista e dos demais estados brasileiros - os primeiros
a atingirem a fama, com a revista Big Bang Bang, foram os cowboys
gays Rocky & Hudson, batizados em homenagem ao grande ator (enrustido)
Rock Hudson, que chegaram a virar desenho animado em 1994.
Adão também acabou sendo "adotado" pelos
"três amigos" Laerte, Angeli e Glauco. Adão
tornou-se o "Cuarto Amigo" na tira criado pelos então
já famosos quadrinistas (o nome do personagem dele na tira,
por sinal, é pouco conhecido: Fanzueca).
Também nos anos 90, com as bençãos de Laerte,
Adão escreveu para TV (TV Colosso e Casseta e Planeta Urgente!).
Em 1994 o autor criou Aline e seus dois namorados, que viria a se
tornar seu maior sucesso, especialmente depois que a tira começou
a ser publicada na Folha de São Paulo, em 1996.
Espécie
de Rê Bordosa teen - título rejeitado por Adão,
já que Aline nem de perto bebe tanto quanto a falecida personagem
de Angeli -, Aline é uma mulher liberada, agitada, ousada
e sexualmente bem ativa. Mora com seus dois namorados, Pedro e Otto,
mas constantemente se aventura além deles. Além das
tiras e de histórias publicadas pela revista e pelo site
Cybercomix, Adão também já publicou três
coletâneas de Aline: Aline e seus dois namorados (L&PM),
Aline - Fantasias Urbanas (Devir) e o mais recente Aline,
Cama, Mesa e Banho (Devir), lançado oficialmente na edição
2001 da Bienal do Livro do Rio de Janeiro.
O multimídia Adão também teve trabalhos publicados
na (extinta?) revista Bundas, de
Ziraldo, uma personagem na revista capricho (Kiki) e recebeu
pelo menos um prêmio HQMix, o oscar brasileiro dos quadrinhos
(aliás, Jal, quando vai ser a premiação deste
ano afinal?).
Diga-se de passagem, no dia da entrega Adão esqueceu a história
de "quadrinho chinelão" e compareceu à premiação
a bordo de lindísisimos pisantes vermelhos...
Agora
Adão se prepara para atacar o mercado norte-americano (já
tem várias de suas histórias traduzidas para o inglês) e também
começou a diversificar sua atuação nos quadrinhos:
organizou recentemente uma exposição do compadre Angeli,
sob a qual declarou com seu humor peculiar: "E eu que sempre
achei que ser curador era coisa de viado, afinal um negócio
que começa com 'cu' 'e termina com 'dor'"...
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