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Príncipe
Submarino
(Prince Namor, The Sub-mariner)
Criação:
Em 1940, o quadrinista Bill Everett lançou pela Marvel
um personagem que vinha do mitológico reino de Atlântida.
Na realidade, o personagem - que apareceu logo de cara na revista
Marvel Comics Número 1 - já havia tido uma versão
criada um ano antes, em 1939, para a revista Motion Picture Funnies
Weekly. Tanto a revista quanto a história não
deram certo...
Na Marvel, porém, a história foi diferente. Surgido
no período pré-Segunda Guerra, o Príncipe Submarino
apareceu como uma espécie de herói não-compreendido
que fazia de tudo para defender o povo da Atlântida. Com isso,
muitas vezes se tornava o vilão da história, em especial
quando resolvia inundar Nova York (o que fez várias vezes)
ou quando enfrentava em lutas homéricas o primeiro Tocha
Humana (um andróide criado por um cientista que não
tem nada a ver com o atual Tocha, Johnny Storm, do Quarteto Fantástico).
Quando os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra, em 41/42, o
personagem também acabou sendo "alistado" e ingressou
definitivamente do lado dos mocinhos, tendo combatido os nazistas
em diversas HQs inclusive ao lado do Tocha original. Em 1949, porém,
Namor estava em franca decadência e acabou sendo abandonado
pela Marvel, esquecido em alguma gaveta...
Mas, em 1960, onze anos depois, o genial Stan Lee resolveu tirar
Namor do Limbo. Para isso, inventou uma história meio sem
pé nem cabeça afirmando que Namor havia perdido a
memória durante todo aquele tempo e havia ficado morando
em um cortiço em Nova York (não se sabe como ninguém
notou as asinhas nos pés daquele cidadão desmemoriado...)
Assim que se lembrou quem era, Namor voltou para a Atlântida,
mas descobriu que ela havia sido destruída graças
a ação criminosa da humanidade contra o mar. Jurou,
então, vingança eterna contra os que estavam acima
do oceano e mais uma vez se tornou uma espécie de vilão.
Também no final dos anos 60 Namor ganhou um desenho (meio)
animado, que chegou a ser exibido no Brasil nos anos 70 e 80 (aquele
clássico, meio paradão e com onomatopéias na
tela - soc, zuuuum, puf e muito mais).
Aos poucos, porém, Namor foi amansando, entendendo que nem
todos os humanos são iguais e chegou a integrar o time dos
Vingadores, além de ajudar várias vezes o Quarteto
Fantástico, com o qual já havia se batido outras tantas.
Detalhe: a cronologia atual insinua que Namor teve um caso com Susan
Storm, a Mulher-Invisível, que por sinal mesmo casada com
o senhor Fantástico continua a balançar pelo submarino
em algumas HQs...
Atualmente, Namor não tem título próprio, mas
aparece nas histórias do Quarteto, Vingadores e outros "mix"
de revistas Marvel. Não é nem de longe um personagem
de grande estatura, mas é muito cultuado pelos fãs,
tendo adquirido o status de "cult". Também não
costuma mais inundar Nova York tanto quanto fazia no passado, mas
continua a ser um personagem que se divide constantemente entre
herói e vilão, além de ser conhecido por sua
arrogância de príncipe dos mares.
Enredo:
Primeira Fase (1940/1949) - No período que antecede a
Segunda Guerra Mundial, um navio de exploradores chamado Oracle
viajava próximo à Antartica e detonou uma série
de cargas explosivas no fundo do oceano para conseguir abrir espaço
para a embarcação passar com segurança. Influenciada
mentalmente por um vilão chamado paul Destine, o Oracle
procurava os restos de uma antiga civilização.
Sem saber, no entanto, a equipe do navio estava destruindo com seus
explosivos uma imensa cidade onde viviam os atlantes, uma espécie
mutante de homens do fundo do mar (na realidade, no desenho original,
muitos pareciam mais com peixes que com homens).
O imperador daquele mundo, rei Thakorr, ordenou então à
sua filha, Fen, que fosse com um grupo de guerra à superfície
descobrir o que estava acontecendo. Fen, porém, decidiu ir
sozinha e usando uma poção que lhe permitia respirar
ar, subiu ao navio, deixando a tripulação encantada
com sua beleza.
Para investigar melhor, a princesa decidiu permanecer no navio aprendendo
a cultura e a língua daqueles homens, ao mesmo tempo em que
tentava impedir novas detonações,
mas acabou se apaixonando pelocapitão do Oracle, Leonard
McKenzie. Os dois se casaram no navio e logo depois McKenzie descobriu
a cidade perdida que procurava (por sinal, criada por outro povo
submarino, os Lemurenses), mas Destine ficou louco ao encontrar
na cidade uma relíquia maligna, o Capacete do Poder, e incidentalmente
explodiu tudo.
McKenzie conseguiu voltar para o navio que, no exato momento em
que ele chegou e abraçava Fen, foi atacado por soldados do
pai dela, que acreditavam que a princesa havia sido raptada. McKenzie
foi gravemente ferido em frente à esposa (ela acreditou que
ele morreu) e os marinheiros, temendo uma nova investida dos submarinos,
fugiram abrindo caminho com todo o TNT à bordo. Isso causou
ainda mais destruições em Atlantida e deixo os atlantes
ainda mais fulos com os homens da superfície.
A cidade começou
a ser reconstruída e Fen descobriu que estava grávida:
tempos depois, nasceria Namor. O nome, por sinal, significa "filho
vingador" na língua atlante. Por causa de sua pele rosada,
o príncipe era tratado de maneira estranha pelos demais atlantis
(de pele azul), que o achavam vítima de uma maldição.
O fato de Namor ter asas nos pés, força descomunal
e ser anfíbio (respirava dentro e fora do mar) não
o ajudava a se encaixar.
A única criatura que se parecia com ele era uma prima, Aquaria,
apelidada pelo pai como "Namora" por ser fisicamente parecida
com Namor (também ela era fruto de uma relação
interracial do povo submarino e os da superfície), que mais
tarde se tornaria mãe de Namorita (o pai era um atlante chamado
Maritanis).
De volta a Namor, o príncipe cresceu e viveu aventuras submarinas
(que envolviam tentativas políticas de tomada de poder) durante
um bom tempo, quase sem contato com as pessoas da superfície,
que considerava verdadeiros demônios pelo que faziam com o
mar e por ouvir lendas dos demais atlantes. Quando começou
a a Segunda Guerra Mundial, no entanto, combates entre navios causaram
novos estragos em Atlantis e Namor foi enviado pelo imperador, seu
avô, para se vingar.
O príncipe Submarino começa sua vingança por
Manhattan (NY), onde acaba enfrentando o andróide Tocha Humana
em confrontos homéricos. Até que uma agente especial
do exército chamada Betty Dean é enviada para capturá-lo.
Betty finge estar se afogando e tenta usar uma arma contra Namor
quando este a resgata. Ele a desarma, mas fica admirado com a coragem
da moça, da qual se torna amigo e, eventualmente, amante.
Namor é então convencido de que os vilões de
verdade são os nazistas e se une ao andróide Tocha
Humana, ao Capitão América e a outros heróis
da época na luta contra Hitler. Nos combates, Namor chegou
a descobrir que sua própria màe, a princesa Fen, havia
feito acordos com os nazistas logo após eles terem bombardeado
Atlântida. Depois da Segunda Guerra, Namor voltou a combater
o crime em Nova York durante a algum tempo e a proteger os mares.
(o personagem foi abandonado pela Marvel, então, por 11 anos,
conforme você pode ver no relato da criação).
Fase
2 (1960 - atualidade) - Em um belo dia, Johnny Storm, o Tocha
Humana do Quarteto Fantástico, resolve ir morar sozinho para
provar que pode ser independente do resto do grupo. Ele se hospeda
em um cortiço no qual descobre uma série de revistas
antigas que falavam do Príncipe Submarino e seu sumiço.
Enquanto está lendo, Johnny ouve um barulho e descobre outros
moradores acoçando um sujeito barbudo e desmemoriado que
mora por ali. Ele parte para ajudá-lo, mas descobre que o
sujeito tem mais força do que parece e já se livrou
dos desocupados. Johnny conversa com o amnésico e resolve
ajudá-lo. Primeiro,usa seu dedo em chamas (nada como ser
um Tocha Humana) para cortar a barba e o cabelo do homem. Quando
faz isso, descobre que ele é a cara do desaparecido Namor.
Resolve, então, levá-lo para um mergulho no mar, pois
havia lido nas revistas que a água do mar recuperava as forças
do Príncipe Submarino. Quando mergulha, o homem simplesmente
some e deixa Johnny encucado...
Na realidade, Namor recuperou não só as forças
como a memória. O leitor descobre então que, após
a Segunda Guerra,
Namor havia ido investigar estranhos tremores de terra que ameaçavam
a Atlântida e dera de cara com Paul Destine (aquele que estava
no navio Oracle, lembra-se?) e que ele havia se tornado poderosíssimo
graças ao tal Capacete do Poder. Destine, que agora se chama
de Destiny, usa seus poderes para derrotar Namor e o transporta,
desmemoriado, para Nova York, onde o abandona à própria
sorte.
Assim que entra de novo no mar, porém, Namor se lembra e
volta para Atlântida. Quando chega lá, porém,
descobre que está quase tudo destruído e acredita
que a destruição é obra dos habitantes da superfície.
O príncip, então, se mune de uma concha conhecida
como Corneta de Proteus, que usa para convocar monstros marinhos
- entre os quais a baleia andadora Giganto - para invadir Nova York
(mais uma vez, pobre Manhattan). Namor acaba detido pelo Quarteto
Fantástico, que é convocado pelo mesmo Johnny Storm
que ajudou o príncipe a se recuperar.
O Quarteto e o arrogante Namor chegam a lutar várias vezes
- Namor até mesmo faz uma aliança com o Dr. Destino
-, mas eventualmente ele acaba entendendo quem são os mocinhos
e muda de posição.
Atualmente,
o personagem está meio distante, mas volta e meia aparece
para dar em cima Susan Storm Richards (que tem uma queda por ele
apesar de ser casada). Atualmente Namor também continua do
lado dos mocinhos, mas eventualmente ele fica revoltado com o que
é feito com o mar e ameaça inundar o mundo, ou melhor,
a ilha de Manhattan, Nova York.
Personagens
Namor
costuma contracenar com quase todos os grandes heróis e vilões
Marvel (em especial com o Quarteto Fantástico e o Dr. Destino,
e integrantes dos Vingadores como Thor e Homem-de-Ferro). Não
há um elenco submarino fixo muito conhecido na atual fase,
mas pode se citar a prima em segundo grau Namorita, que aparece
de vez em quando, e alguns inimigos do fundo do mar, como os vilões
Attuma, Barracuda e Barbatana.
Curiosidade:
Peladão!!!- Em Marvels, minissérie lançada
nos anos 90 pela dupla Alex Ross e Kurt Busiek mostrando o surgimento
dos heróis Marvel no mundo visto pelos olhos de um fotojornalista,
Namor aparece em todas as suas fases. São memoráveis,
por exemplo, seus embates com o andróide Tocha Humana (que
por sinal acabam causando a perda de uma das vistas do fotojornalista)
da década de 40 e as invasões do príncipe e
suas criaturas à Nova York da década de 60. O detalhe
curioso é que em todas as cenas Namor está pelado!!!
Ross, que desenhou a minissérie, conta que sempre achou absurdo
que um homem que vivesse e crescesse no mar usasse uma sunguinha
verde, coisa típica da nossa civilização. Por
isso não teve dúvidas, tirou a sunga do homem. Mas
desenhou apenas cenas em ângulos no qual a genitália
do príncipe não ficava exposta, por isso o pessoal
da Marvel sequer percebeu o detalhe e tudo foi publicado na íntegra,
para a sorte dos leitores.
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