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Snoopy

Criação: Se o sucesso pode ser traduzido em números, o das tirinhas de Snoopy, que completou 50 anos em 2000, é incontestável. O beagle e sua turma têm 355 milhões de tiras impressas em 2600 jornais de todo o mundo (traduzidas para 26 idiomas distintos), seus desenhos animados são assistidos por 6,6 milhões de crianças apenas no canal pago Nickelodeon, nos Estados Unidos, e o site de Snoopy recebe uma média de 2 milhões de visitas diárias. Para coroar os números no aniversário de Snoopy, 108 cartunistas americanos (desenhistas de tiras como Garfield, Brucutu, Dick Tracy, B.C. e Dênis, o Pimentinha) produziram tiras especiais para o site do personagem, em um tributo a Snoopy e seu criador, Charles Shulz (conheça toda a história do pai do beagle na sessão Quadrinistas, Graças a Deus).
Os números são assustadores, tanto quanto o fato de que o fenômeno Peanuts (o nome original da tira de Snoopy, "traduzido" em português por idéia do cartunista Ziraldo como "Minduim") poderia nunca ter ocorrido não fosse a insistência do autor. Charlie Schulz criou em 1947, para o jornal St. Paul Pioneer Press, a tira "Lil' Folks" (Gente Pequena), um protótipo da turma de Snoopy. A tira foi cancelada após dois anos, porque Shulz solicitou que a historinha fosse publicada diariamente - e acabou demitido por causa disso.
Determinado a vencer com sua obra, Shulz continuou trabalhando nas tiras e as enviava pelo correio para a distribuidora United Feature Syndicate, que a recusava sistematicamente.
Até que, no segundo semestre de 1950, após uma reunião pessoal com a diretoria do sindicato, a tira acabou sendo aprovada e, no dia 2 de outubro daquele ano, estreou em sete jornais. Com um detalhe curioso: o nome "Lil Folks" trocado para Peanuts, por imposição da empresa (Schulz detestou o nome).
A tira rapidamente se tornou uma coqueluche nos Estados Unidos e fora deles. Seguindo os quadrinhos, surgiram os desenhos animados, peças de teatro (You are a Good Man, Charlie Brown, encenada na Broadway, ganhou dois prêmios Tony) e surgiram centenas de produtos de licensing, de camisetas e relógios a brinquedos e videogames. Snoopy ultrapassou até mesmo a fronteira do planeta: em 1969, os astronautas que pisaram na Lua pela primeira vez levaram na cápsula um desenho do beagle.
O sucesso do cãozinho e da turma de Charlie Brown se reflete claramente em cifras: em 1998, por exemplo, os produtos com a marca Snoopy renderam US$ 3 bilhões. No Brasil, onde há 40 empresas comercializando 600 produtos da marca, o faturamento em 98 foi de US$ 190 milhões.

ENREDO: As tiras dos Peanuts mostram o cotidiano de uma turminha captaneada pelo garoto Charlie Brown, um eterno perdedor, e seu cachorro Snoopy (xereta). O beagle, por sinal, só apareceu nas tiras no final de 1950, como um filhote de cachorro adotado por Charlie - originalmente, Schulz pensou em batizá-lo de "Snuffy" e não Snoopy. O detalhe que chama a atenção nas tiras - e que gerou uma série de teses acadêmicas, entre as quais uma do escritor Umberto Eco - é o fato de Schulz conseguir passar, por meio das crianças, discussões, problemas e até angústias dos adultos. As tiras são consideradas altamente filosóficas e, para alguns, chegam a ter uma "função terapêutica". "Elas são o divã diário de milhares de crianças complexadas que cresceram", analisa o especialista em quadrinhos Álvaro de Moya. Além das cenas do dia a dia, Schulz também deu a Snoopy várias personas que aparecem nas tiras, como a do Ás Aviador, o Advogado e Joe Cool, além de alguns "primos" cachorros de outras partes dos EUA e do mundo. As discussões filosóficas que aparecem nas tiras também são complementadas pela presença de um passarinho estranho, o famoso Woodstock.

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Curiosidade: Charlie Brown é de verdade - Charlie Brown, aquele perdedor que nunca consegue chutar a bola de futebol americano segurada por Lucy nem tampouco se declarar à garotinha ruiva, existiu de verdade. Ele era um funcionário da escola de desenho onde Schulz trabalhou no final dos anos 40. Na escola havia ainda um professor chamado Linus e uma funcionária chamada Frieda, nomes que Schulz também decidiu usar em seus personagens.

Letra:
Personagem:

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