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Luluzinha
Criação:
Em
1934, a estadunidense Marge Henderson Buell, considerada uma pioneira
do sexo feminino na profissão de cartunista, criou Little Lulu,
uma garotinha inteligente e teimosa que fez sua estréia logo de
cara conquistando os leitores jornal Saturday Evening Post. Apesar
de ter criado logo de cara todo o elenco que acompanharia a garotinha
nas HQs, no início os quadrinhos de Buell publicados no jornal se
resumiam a uma "gag" (piada curta e rápida) de apenas um painel,
sem continuidade ou grande desenvolvimento de personagem, na qual
quase sempre aparecia apenas Luluzinha.
O sucesso foi aumentando e a personagem chegou a ser a garota-propaganda
dos lenços de papéis Kleenex por mais de uma década (a relação foi
cortada quando a popularidade de Lulú estava no auge nos
EUA, entre as décadas de 40 e 50). A cartunista desenhou pessoalmente
as tiras de jornal até 1947 e, a partir deste ano, foi sucedida
por outros artistas, que sempre seguiram o estilo da autora.
Já nos quadrinhos, Marge apenas aprovava as HQs. Todas as histórias
publicadas em gibi - que nos EUA foi lançado em 1945 e durou até
o início dos anos 60 - eram feitas por John Stanley. Este cartunista
era, a princípio, o único criador dos desenhos e das histórias para
revista em quadrinhos. No início, o trabalho de Stanley era praticamente
copiar a arte de Marge, mas conforme o sucesso das HQs foram crescendo
e havia necessidade de mais e mais HQs, Stanley acabou dando o trabalho
de desenhista para Irv Tripp, que desenvolveu um traço mais "fofinho"
para os personagens - que permanece até hoje. A partir de então,
Stanley e Tripp trabalharam sempre como equipe, Stanley escrevendo
e fazendo os rascunhos das HQs e Tripp fazendo a arte final. No
Brasil, os quadrinhos de Luluzinha chegaram na década de 60 - alguns
estudiosos apontam para a existência de tiras de Lulu já nos anos
50, mas a informação é controversa - e desapareceram sem muito alarde
nos anos 80. Não se sabe ao certo se acabaram porque já haviam sido
publicados todos os originais da dupla Stanley e Tripp ou se isso
ocorreu porque os leitores, nesta época, já haviam trocado Lulu
pela Mônica.
Marge Buell também vendeu direitos da personagem para a produção
de desenhos animados, em 1943. Assim como fazia com os bonecos e
brinquedos (que fizeram muito sucesso no Brasil na década de 70)
ela manteve em todos os contratos seu "direito de controle da autora",
garantindo assim um padrão de qualidade. Assim, todos os brinquedos,
HQs e desenhos tinham de ser aprovados por ela antes de irem para
o público. O Famous Studios foi o produtor dos desenhos até 1948.
Estes primeiros desenhos eram considerados os melhores já produzidos
por muitos dos fãs. Outros estúdios menores produziram desenhos
da personagem nas décadas de 50 e 60, sem tanto sucesso. No entanto,
no final dos anos 90 os estúdios da HBO criaram um novo desenho,
que atualmente é exibido tanto na TV a Cabo quanto no SBT (aqui
no Brasil) e que se tornou sucesso imediato. Realmente vale a pena
ver o desenho, que inclui sempre uma abertura (e finalização) na
qual Lulú dá uma de comediante, no melhor estilo Jerry Seinfield.
Luluzinha continua a Ter fãs no mundo inteiro, com direito a
web site, e as bonecas originais da personagem, lançadas na
década de 60, são vendidas atualmente por até US$ 2000,00 a colecionadores.
A primeira edição do gibi, em inglês, vale US$ 700,00.
Enredo:
Lulu Moppet é uma garota inteligente e teimosa de um típico
bairro de subúrbio americano. Ali, vive as mais diversas aventuras
infantis ao lado de sua turminha (veja personagens). Além das brincadeiras
de criança, disputas entre meninos e meninas e investigações malucas
ao lado (ou não) do colega Bolinha, as HQs também entram no reino
da fantasia quando Lulú conta histórias de fada (e de bruxa, ou
melhor, bruxas: Meméia e Pepéia) para o pentelho, quer dizer, pequeno
Alvinho.
Personagens:
Luluzinha
é a personagem principal. Inteligente e teimosa, ela adora mostrar
que é mais esperta que o amigo Bolinha e sua turma - Lulú, por sinal,
tem uma queda por Bolinha. Quando não está brincando ou em disputas
com os meninos, Lulu gosta de fazer chás de bonecas com a amiga
Aninha ou de contar historinhas a Alvinho - nestas histórias cheias
de moral ela é sempre a heroína, geralmente na pele de "uma pobre
menininha".
Bolinha é uma espécie de namorado de Lulú, apesar de ser apaixonado
por Glória, a menina mimada da vizinhança. Ele é o dono e presidente
do clubinho local, no qual "menina não entra". Sempre em busca de
uma refeição a mais (de preferência de graça), Bolinha chegou a
ter seu próprio gibi, de 1953 a 1958. O gorducho, cujo nome original
é Tubby, também pode ser visto dando uma de detetive, tentando resolver
mistérios da turminha. Nestes casos ele adota a "identidade secreta"
de "O Aranha". Nestes casos invariavelmente o culpado é sempre o
pais de Lulú, que na versão brasileira ganhou (entre outros) o nome
de "seu Palhares". O mais engraçado é que, de uma forma ou de outra,
Bolinha sempre estava certo quanto à culpa de Palhares... Bolinha
também viveu algumas aventuras com simpáticos homenzinhos de Marte,
que tinham poderes de transformação e o ajudavam em histórias bem
malucas.
Alvinho (Alvin) é um garotinho pentelho que adora pegar no pé de
Luluzinha e do resto da turma, que não suporta o menino porque ele
quer tudo e vive chorando. Lulú é a única que agüenta o menino e
o distrai com historinhas de bruxa na qual ela é a heroína e ele
um garotinho mimado. Na maioria das vezes, porém, Alvinho não entende
a moral e acaba se metendo em mais encrenca.
Aninha
(Annie) é a melhor amiga e companheira de Luluzinha. Ingênua ao
extremo, ela é facilmente tapeada pelos meninos e Luluzinha vive
ajudando a amiga a virar o jogo. Aninha também adora suas bonecas,
que são constantemente raptadas por Bolinha e pelo próprio irmão
dela, Carequinha.
Plínio Raposo (Wilber von Snobble) é o garoto rico e metido que
se considera bom demais para andar com a turma de Lulú, apesar de
estar sempre no meio dela. Plínio é (ou tenta ser) namorado de Glória,
o que o torna "inimigo natural" de Bolinha. Às vezes Plínio também
dá em cima de Luluzinha (o que também o torna "inimigo natural"
de Bolinha).
Glória
é a rival de Lulú quando o assunto é Bolinha, se bem que a própria
Luluzinha adora usar Bolinha para despertar ciúmes em Plínio, por
quem tem uma queda. Luluzinha acha Glória um tanto fresca e excessivamente
"mulherzinha", mas as duas às vezes conseguem ser boas amigas.
Carequinha
é melhor amigo de Bolinha e um dos integrantes da turma. Geralmente
Careca é durão, mas quase sempre dá para trás quando os garotos
encrenqueiros da turma Leste começam a pegar no pé de Bolinha e
sua turma.
Curiosidade:
Musa da Jovem Guarda - Apesar dos quadrinhos de Luluzinha
terem acabado nos anos 60 nos EUA, foi justamente nesta década e
na de 70 que Luluzinha ficou mais famosa no Brasil. O auge do sucesso
foi atingido com uma música da Jovem Guarda dedicada à personagem,
chamada de "Festa do Bolinha", na qual se cantava sobre os personagens
da turma (veja a letra a seguir). Também nesta época eram comercializados
no Brasil bonecos de Bolinha e Luluzinha em "tamanho natural", que
faziam sucesso entre as crianças por aqui. Confira a letra da música:
Eu
ontem fui a festa,
Na casa do Bolinha.
Confesso: não gostei
Dos modos da Glorinha
Muito assanhada,
Nunca vi igual,
Trocava mil beijocas com Raposo no quintal
Porém
pouco durou
Aquela paixão,
Pois Bolinha com ciúmes
Armou a confusão
Aninha tropeçou
Os copos derrubou
E a casa do Bolinha num inferno se tornou
Bolinha
provou,
Que é ciumento pra chuchu
E... que não gosta da Lulu
Bobinha,
Que por ele ainda chora...
Com tanto pão
Dando bola no salão
Luluzinha foi gostar
Logo de um bolão!!!
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