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| Mundo
Animado - Maio de 2003 |
Desenhos
MUITO ANIMADOS !
Fred Flintstone e Barney Rubble participando de uma troca de casais
com Betty e Wilma. Alice (a do País das Maravilhas) flagrada
transando com o Chapeleiro Louco. Daphne, Freddie, Salsicha e Scooby
Doo fazendo uma orgia capaz de ruborizar o mais desinibido dos mortais.
Os desenhos animados perderam a inocência. pelo menos na Internet,
onde cada vez mais proliferam os chamados sextoons, ilustrações
eróticas e pornográficas que parodiam os maiores ícones
do mundo de Walt Disney, Hannah Barbera e muitos outros artistas
famosos (nem mesmo sucessos recentes como Pokémon e Dragon
Ball escapam).
A
sátira erótica/pornô a desenhos não é
novidade. Ela existe pelo menos desde o final dos anos 60, quando
as publicações underground estadunidenses escrachavam
os autores "que se rendiam ao sistema" e, ao mesmo tempo,
zombavam da censura imposta pelo governo americano com o Comics
Code, um "código de ética" que levou muitas
HQs à fogueira.
Data
desta época, por exemplo, um famoso poster no qual todos
os personagens Disney - de Mickey e Pateta a Peter Pan e Sininho
- participavam de uma orgia (o quadro foi reproduzido no Brasil
pelo menos uma vez na revista Animal, na década de 80). A
novidade, agora, é o número de desenhos que se espalha
na rede mundial de computadores e a alta qualidade da maioria esmagadora
deles, que parece ter sido produzida pelos próprios animadores
ou pessoas de suas equipes. Da mesma forma, é cada vez maior
o número de pessoas que procura este tipo de site, em busca
de personagens que antes faziam parte de um mundo de fantasia e,
agora, fazem parte de outros tipos de fantasias.
Para
o filósofo e professor da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp) César Nunes, os sextoons são um fenômeno
complexo. Para Nunes, que é presidente da Associação
Brasileira de Educação Sexual e autor de diversos
livros sobre sexualidade humana, é preciso primeiro relembrar
que o ser humano tem uma relação estreita com os desenhos.
"Desde a época das cavernas os desenhos são usados
como forma de expressão do homem. No caso dos desenhos animados,
eles sempre foram usados de modo a transmitir valores universais,
ressaltando o 'discurso do bem', retratando de maneira afirmativa
a sociedade", diz o professor.
Ele
ressalta, no entanto, que a partir em especial da pós-modernidade
dos anos 80, os valores da sociedade mudaram e novas temáticas
humanas entraram em cena. "Houve uma crise de valores éticos
e estéticos, e os personagens de desenho refletem essa crise,
são um espelho da sociedade. Ao serem re-humanizados, os
personagens rompem com os modelos tradicionais e são dessacralizados
de uma maneira exacerbada, exagerada, nos desenhos eróticos
e pornográficos", diz.
Muitos
dos sextoons, no entanto, vão além do sexo puro e
simples: há troca de casais, orgias e até mesmo incestos
(há seqüências populares entre os internautas
envolvendo Jorge Jetson e sua filha Judy e Bart e Lisa Simpson).
Quem busca este tipo de desenho, portanto, seria não apenas
uma pessoa com valores diferentes, mas também um integrante
de uma legião de pervertidos? Para César Nunes, não.
 "É
preciso deixar claro que esses desenhos são um jogo de representação
do real e não a realidade. Não se pode confundir realidade
e fantasia, simbologia com ação de fato. Não
é possível classificar como perversão e querer
punir algo que não ocorreu de fato, é apenas uma representação
virtual, uma fantasia. Em minha opinião, a pornografia dos
desenhos animados não é perversão e sim um
reflexo das profundas carências culturais do ser humano que
se espalha pelas paredes das cavernas da Intenet', sentencia.
 

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