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Pelos
poderes de Greyskull...

No início dos anos 80, a empresa de brinquedos Mattel estava
trabalhando em uma linha de bonecos baseados no filme Conan,
o Bárbaro, quando um gênio do departamento de marketing
sugeriu que um brinquedo baseado em um herói violento como
o bárbaro poderia ser considerado inadeqüado para crianças.
Os bonecos, então, ganharam uma roupagem diferente e foram
vendidos com o nome de "Masters of the Universe". Os bonecos
(por sinal, bem toscos, com corpo de plástico e cabeça
de borracha) venderam bem e, para aumentar ainda mais as vendas,
a Mattel encomendou para os estúdios Filmation um desenho
animado baseado nos bonecos. Foi assim que, em 1983, surgiu na televisão
o desenho He-Man e os defensores do universo.
Inicialmente,
o mercado acreditava que os desenhos seriam uma propaganda dos brinquedos
mal-disfarçada. No entanto, ninguém - nem mesmo a
Mattel - contava com a capacidade da equipe da Filmation. A empresa
criou um desenho diferente dos da época, tanto em relação
ao desenho dos cenários e personagens (a Filmation chegou
a filmar pessoas nas poses e movimentos de todos eles para embasar
o desenho) quanto na trilha sonora. O argumento contava a história
de Adam, príncipe do planeta Eternia, que usando uma espada
mágica e gritando "Pelos poderes de Greyskull"
transformava-se em um poderoso herói: He-Man.
Adam
usava a espada ainda para transformar seu medroso tigre de estimação,
Pacato, no feroz "Gato Guerreiro". Aliás, "transformar"
é força de expressão, já que He-Man
era apenas um Adam mais moreno (e com menos roupa), assim como o
Gato Guerreiro era só um pouco maior que pacato e com uma
espécie de armadura-cela (mas qual o problema? Clark Kent
transforma-se em Superman tirando o óculos e ninguém
percebe...)
Adam defende o planeta contra uma série de vilões,
captaneados pelo cruel e afetado Esqueleto - veja a lista dos principais
heróis e vilões do desenho abaixo. A seu lado estão
seu pai (o rei Randor) e sua mãe, rainha Marlena ( na verdade
uma astronauta terrestre que "caiu" em Eternia), o inventor
e chefe da guarda "Mentor" ou Duncan, a filha adotiva
deste, Teela (pronuncia-se "Tila"), o estranho mago Gorpo
e a feiticeira de Greyskull (verdadeira mãe de Tila), entre
outros.
Os argumentos eram interessantes e os desenhos do primeiro ano fizeram
muito sucesso, mas não fugiam de um desenho típico
de aventura. Mas, no segundo ano... Paul Dini (hoje conhecido por
seu trabalho com as séries animadas de Batman
e Superman,
além de várias HQs) e uma equipe de roteiristas resolveram
explorar dramas humanos no desenho
e o resultado foi surpreendente. Entre outros desenhos memoráveis,
foi produzida neste período "A Busca de Teela",
no qual a moça lida com o drama de ser adotada, renega mentor
e tenta descobrir quem é sua verdadeira mãe. Em outra
série de episódios, Adam fica decepcionado porque
seu pai o acha um covarde e, depois de quase contar "seu segredo"em
busca da aprovação do rei, desiste dos poderes de
He-Man em um momento crítico do reino e traz conseqüências
trágicas para seus amigos. Em outro desenho, He-Man faz um
pacto com um dragão para trazer um amigo de volta dos mortos,
apenas para descobrir que o preço do pacto é a vida
de outro amigo.
Além dos bons argumentos, os desenhos de He-Man sempre traziam
no final uma mensagem de moral. A maioria era de alto nível
e bem elogiada pelos pais - de "não brinque com fogo"
e "cuidado com estranhos" a mais profundas como "o
verdadeiro pai é aquele que cuida de você e te ama"
(no episódio "A Busca de Teela"). É claro
que havia algumas ridículas, como a célebre em que
He-Man diz que não se deve passar mostarda em um gato, inspirada,
ao que parece, em um episódio da vida real de um argumentista...
He-Man
teve ao todo 130 episódios e gerou um segundo desenho - She-Ra,
sobre sua irmã gêmea - e dois filmes estrelados
por Dolph Lundgren: A Espada Mágica (1986), que mostrava
o primeiro encontro de He-Man e She-Ra, e Mestres do Universo
(1987), no qual He-Man vinha à Terra em busca de uma
chave mágica que possibilitaria poder absoluto à Esqueleto.
As músicas e versões nacionais de músicas do
desenho também fizeram sucesso - quem não se lembra
de Gorpo e Gorpella cantando "O bem vence o mal, espanta o
temporal. O azul, o amarelo, tudo é muito belo"? - e
até cantores (?) brasileiros exploraram o sucesso do desenho.
Xuxa fez uma canção pedindo que She-Ra, por Greyskull,
a apresenta-se para He-Man (a moça garantia que era "todinha
do bem") e até o desaparecido Juninho Bill em um de
seus muitos conjuntos cantava "lá-lá-lá
He-Man", "unidos venceremos a semente do mal" e outros
mal-traçados versinhos.
Diga-se
de passagem, o último episódio de He-Man foi criado
em 1987. No ano seguinte a empresa francesa de produtos de beleza
L'Oreal comprou o Filmation e demitiu todo mundo do estúdio,
encerrando os planos futuros para os personagens. Cest la vie.
Os bonecos do personagem, porém, estão sendo relançados
neste ano e já há boatos sobre - e listas de apoio
na Internet pedindo - a volta de He-Man. Será que ele ainda
tem a força?
Principais
personagens do desenho:
Heróis
- Adam/He-Man; Pacato (Cringer)/Gato Guerreiro (Battlecat); Mentor
(Man-at-Arms); Teela; Feiticeira (Sorceress); Stratos (o amigo alado
de He-man); Aríete; Gorpo (Orko)
Vilões
- Esqueleto (Skeletor) e seus seguidores Homem-Fera (Beastman);
Mandíbula (Trap-Jaw); Tri-Klops; Aquático (Merman)
e Maligna (Evil-Lyn)

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