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Super Dínamo ! ! !
por Takanobu Sama *

Imagine ter, guardado dentro de um armário, um robôzinho que assume sua forma (bastando apertar um botão no nariz dele) e faz todas as tarefas que você devia fazer, te dando tempo livre para salvar o mundo e o que mais você quiser . O robozinho era o sonho de consumo de milhares de crianças brasileiras (e muitos adultos também) que assistiam ao desenho do Super Dínamo, exibido pela Rede Tupi entre 1976 e 1978. O desenho, que originalmente se chamava Paa Man (o que explica a letra P na camisa do Super Dínamo), foi criado inicialmente como mangá (história em quadrinhos) pela dupla Fujiko Fujio, uma espécie de Hanna Barbera do Japão.
Os dois desenhistas, que na realidade se chamavam Fujio Akatsuka e Syotaro Ishimori, eram amigos desde a quinta série ginasial, quando começaram a desenhar HQs e, em 1963, com o sucesso de suas publicações (o título Doraemon, por exemplo, vendeu 7,5 milhões de exemplares) fundaram o Studio Zero e começaram a produzir animes. Um dos primeiros mangás a virar desenho animado foi justamente Paa Man, ou Super-Dínamo, em 1967. A história do Super começa quando Mitsuo - um mais que preguiçoso garoto de classe média - era escolhido pelo misterioso Super Homem (uma espécie de Super Dínamo adulto) para ser um dos defensores do planeta. Para desempenhar sua missão, Mitsuo recebe um tipo de kit que inclui o capacete-máscara (que dá super-força a quem o veste), uma capa (que faz com que o herói possa voar), um broche em forma de letra P que na verdade é um comunicador e o famoso robô-cópia, que assume a forma da pessoa que aperta seu nariz (e assim garante não só a identidade secreta do Super-Dínamo como também as tarefas do dia a dia de Mitsuo).
O garoto, que além de preguiçoso era bem atrapalhado, chega até a pensar em desistir de assumir as responsabilidades de um herói, mas acaba sendo convencido pelo Super Homem, que mostra a ele como a população mundial sofre com a fome, a miséria, a violência e por aí afora (uma temática bem adulta para um desenho infantil dos anos 60, não?). Mas toda a seriedade da missão não impede que Mitsuo use e abuse, por exemplo, do seu robozinho para limpar a casa, fazer lição e outras tarefas nada agradáveis a ele.
Mitsuo, por sinal, não é o único escolhido pelo Super Homem, apesar de ser o primeiro (o Super o chama de 'número 1') e o personagem central da série. Aos poucos o desenho apresenta vários outros Super Dínamos, como os números 2 (um macaco que só grunhe), o 3 (uma menina), o quatro... Todos recebiam o kit Dínamo e até hoje me pergunto o que o macaco fazia com seu robô-cópia...
Além de garantir boas risadas, as aventuras do Super Dínamo tiveram o mérito de mostrar por aqui os hábitos dos japoneses, em especial das crianças de lá. Muitos pais, além de terem de agüentar seus pimpolhos correndo com um pinico na cabeça e dando a desculpa de que quem havia quebrado o vaso havia sido o robô-cópia, viam seus filhos tirando os sapatos para entrar em casa e perguntando, por exemplo, o que era um tatami ou como era o bolinho de arroz japonês. Super Dínamo deixou muita saudade e há até gente vendendo fitas com o desenho na Internet (N. da R.: atenção, o HGB viu o site, que vende até mesmo Fantomas e Guzura, mas não sabemos se ele é confiável, por isso se quiser comprar tome cuidado). Agora, Robô-Cópia que é bom, ninguém vende...

* Taka Sama não escreveu esta matéria. O autor, na realidade, foi seu robô-cópia, que por sinal tem mais estilo que ele...

 

 

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