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Coisa - Fevereiro de 2008 - A Morte do Capitão América |
Steve
Rogers (1940-2007)
Morre
o América

O
famoso escudo redondo com uma estrela no meio sempre voltou para
as mãos de Steve Rogers, o Capitão América,
depois de ser lançado contra um inimigo. Não mais.
Após mais de seis décadas de vida, o “Sentinela
da Liberdade” encontrou seu fim nas mãos de um sniper,
um franco-atirador desconhecido, que o assassina na história
que chegou às bancas brasileiras neste dia 29 de fevereiro,
nas páginas da revista Os Novos Vingadores 49.
A morte do herói é publicada por aqui com quase um
ano de atraso. Nos Estados Unidos, onde saiu em março do
ano passado, já há até mesmo um outro personagem,
Bucky Barnes, vestindo a roupa azul com o “A” na testa
e as asinhas sobre as orelhas.
Mas
a demora para chegar não deve afetar o impacto da história,
que nos Estados Unidos alavancou as vendas da revista do personagem
e chamou a atenção da mídia em geral (até
a conservadora CNN chegou até a noticiar o acontecimento).
Também
aqui a editora Panini, publicadora dos quadrinhos Marvel, espera
um aumento nas vendas causado pelo apelo da morte do herói.
“O desfecho da saga choca por que aproxima o personagem de
seus leitores, tornando-o mais humano”, comenta Marcelo Silva,
responsável pelo Marketing de heróis da Panini.
Que
as vendas aumentam não há dúvida: há
inúmeras outras “mortes” de personagem de quadrinhos
que comprovam o fato, como as de Super-Homem, Flash (Barry Alen),
Lanterna Verde e Sandman. Boa parte deles, diga-se de passagem,
foi “ressuscitada”. Mas promover um golpe de marketing
seria a única razão para o assassinato de personagens
tão iconográficos quanto o América?
Joe Quesada, chefão da Marvel Comics, diz que não.
Segundo ele, a razão estaria no roteiro da saga Guerra Civil,
mais recente série de histórias que envolveu todos
os heróis da editora. Na série, os “supers”
se dividem e lutam entre si por causa de uma proposta governamental
que exige que os heróis sejam registrados como espécie
de super-policiais. Desta forma, receberiam salário e até
aposentadoria, mas seriam responsabilizados por eventuais deslizes
que cometessem.
O Capitão, porém, ficou contra a medida. “Ele
cometeu o maior erro que um soldado pode cometer: insubordinação”,
sentencia Quesada. Isso dito,é preciso deixar claro ao leitor
que o assassino não é revelado. Após o tal
conflito e a rendição do Capitão América,
ele foi preso e era levado para julgamento quando o misterioso atirador
o alveja, no melhor estilo John Kennedy/teoria da conspiração.
Há quem diga, porém, que os heróis morrem justamente
para nascerem de novo, reforçando suas origens mitológicas.
Exemplifica bem essa teoria j a morte do maior deles, o Super-Homem,
cuja derrocada final é cheia de referências ao maior
dos heróis, Jesus Cristo: o Homem-de-Aço morre para
salvar a humanidade; o vilão chama-se Doomsday (“Dia
do Juízo Final”), a cena com Louis Lane segurando-o
no colo remete iconograficamente à La Pietá; a cripta
é encontrada vazia só com a capa a La Santo Sudário
e, claro, o Super ressuscita (clique
aqui para saber mais)
Por fim, há ainda a teoria de que ao não representar
mais os valores vigentes do público leitor o herói
tem que mudar – sem se descaracterizar - ou morrer. Talvez
a resposta seja uma dessas alternativas ou uma mistura delas, mas
o fato é que, explicações à parte, o
mundo dos quadrinhos perdeu um de seus grandes ícones.
Como
bons estrategistas, os editores da Marvel dizem que o herói
está morto em definitivo. Os editores da DC também
diziam o mesmo de Superman e do Lanterna Verde Hal Jordan, apenas
para citar dois exemplos. Os casos de super-heróis desse
porte que ficam mortos permanentemente são raríssimos,
a ponto de todo leitor conhecer decor uma frase-chavão dita
por eles: “Os boatos sobre a minha morte foram exagerados.”
Mais ainda, fica difícil acreditar que o Capitão América
original não voltará quando o próprio personagem
que o substituiu, Bucky, também já morreu em histórias
publicadas anteriormente. E, claro, ressuscitou.
Um
detalhe final: se a morte do Capitão ajudará a vender
revistas, não será apenas de um título: além
de Os Novos Vingadores, a Panini já anunciou que as repercussões
do assassinato serão exploradas em outras revistas, entre
as quais “Capitão América: Morre uma Lenda”,
minissérie em duas partes mostrando como ficam Wolverine,
Homem-Aranha e o Homem-de-Ferro com a morte do amigo.
Conheça
a história do Capitão
Artigo:
por que o América morreu?
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