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Coisa - Julho de 2007- Antologia Chiclete com banana |

A
volta dos que não foram
Desde
que tornaram-se conhecidos do grande público, nos anos de
1980, Angeli, Laerte e Glauco viraram referência nas histórias
em quadrinhos brasileiras. Com um humor descrito adequadamente como
corrosivo, cínico e anarquista, o trio de cartunistas revolucionou
as HQs e até hoje é exemplo de genialidade, seja nas
tiras publicadas por dezenas de jornais Brasil afora, seja em coletâneas
eventuais lançadas de tempos em tempos.
Quem
não sabe como “Los três amigos” alcançaram
seu status, porém, agora pode descobrir: as editoras Sampa
e Devir acabam de lançar, em parceria, uma antologia da revista
Chiclete com Banana, publicação que revelou os cartunistas.
Lançada
pelo publisher Toninho Mendes, Chiclete teve 44 edições
– entre normais e especiais - e durou dez anos, nos quais
mais de 3 milhões de exemplares foram vendidos. Trazia HQs
e muito mais: entre outras coisas, misturava quadrinhos, textos
de humor e fotonovelas hilárias estreladas pelo próprio
Angeli (em crise) e a então desconhecida atriz Cristiane
Tricerri.
A
linha da revista foi definida por Angeli em editorial logo no primeiro
número, em outubro de 1985: “Queremos beliscar a bunda
do ser humano pra ver se a besta acorda”. Com efeito, beliscaram.
Nas páginas de Chiclete com Banana surgiram – ou se
consolidaram – personagens inesquecíveis como Bob Cuspe,
Mara Tara, Doy Jorge, Rhalah Ricota e Meia-Oito.
Também
ali ganharam espaço histórias com belos roteiros e
desenhos, como “Penas”, de Laerte (reproduzida no primeiro
número da antologia). Tudo, claro, no melhor estilo sexo,
drogas e rock´n´roll.
Ao lado de revistas como Circo (também editada por Mendes)
e Animal (feio, forte e formal), Chiclete revolucionou o mercado
de HQs brasileiras tirando o foco das historinhas de super-herói,
infantis e aventura ao oferecer uma alternativa inteligente (e muitas
vezes transgressora) para um público que até então
não encontrava nada satisfatório nas bancas.
Os fãs da revista – que iam de adolescentes e jovens
órfãos de humor inteligente a intelectuais das mais
diversas ideologias – também podiam encontrar nas páginas
da publicação colaborações de Cacá
Rosset, Guto Lacaz, Luiz Gustavo, Marcatti e tantos outros.
Fazer uma antologia, alega a editora, é de certa forma eternizar
para a história a revolução provocada pela
Chiclete. E, como hoje encontrar exemplares dos anos de 1980 é
raridade, também serve para matar a saudade de quem leu e
para apresentar um humor então reacionário às
novas gerações. Ao todo, serão 16 exemplares
(a R$ 5,90 cada) condensando o que foi publicado de melhor nos 44
originais.
Mas por que lançar uma antologia justo agora, ainda mais
considerando que as próprias editoras já republicaram
algumas HQs dos três amigos na série Sobras Completas
e na recente coletânea Seis mãos bobas? Responde o
próprio Toninho Mendes, coordenador da antologia, no melhor
estilo Chiclete com Banana: “Num momento em que esses anos
voltam numa onda nostálgica que cultua cigarrinhos de chocolate,
bonecos Falcon e bandas de rock pífias, esta antologia serve
como contraponto”. Touché.
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