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Coisa - Fevereiro - Educação está no gibi |
Livro
mostra como usar HQs em sala de aula e muito mais
Houve
um tempo em que histórias em quadrinhos só entravam
na escola se fossem escondidas no meio de um livro. E outro no qual
“especialistas” do Ministério da Educação
afirmavam que as HQs causavam “lerdeza mental”. Nos
dias de hoje, porém, pesquisas indicam que a simples leitura
de quadrinhos melhora a proficiência de alunos e, mais ainda,
se bem utilizadas, elas podem ser uma forte aliada do professor
em sala de aula. É o que defende – e explica como fazer
– o cartunista e mestre em Educação DJota Carvalho,
em A educação está no gibi, livro
publicado pela Papirus Editora.
DJota,
que também é professor de Teoria da Comunicação
na PUC-Campinas e ministra palestras sobre como utilizar quadrinhos
na escola há onze anos no projeto Correio Escola, conta no
livro não só como o professor pode utilizar diretamente
as HQs nas mais diversas disciplinas, como também faz uma
mini-oficina ilustrada com dicas para produzir uma história
em quadrinhos como trabalho multidisciplinar.
“É possível usar Mônica e Cebolinha pra
ensinar matemática, Super-heróis para Física
e Química, quadrinhos Disney e Asterix para história,
Xaxado e Príncipe Valente para geografia...não há
limites. Na verdade, a única disciplina para a qual não
achei uma forma de contribuir com as HQs é Educação
Física. Por enquanto”, diz o autor.
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Primeira página
da HQ de apresentação, desenhada por Bira Dantas
(clique para ampliar) |
A
educação está no gibi tem prefácio de
Fernando Gonsales, autor da tira Níquel Náusea, e
a apresentação do livro é uma história
em quadrinhos de quatro páginas, desenhada pelo premiado
cartunista Bira Dantas. "O Bira colocou tantos detalhes e personagens
de quadrinhos nos cenários da HQ que só ela já
vale o livro", diz DJota.
A
obra tem sete capítulos, todos ricamente ilustrados, nos
quais DJota primeiro explica um pouco sobre diferenças entre
as artes gráficas (charge, cartum, HQs, tiras e caricaturas),
depois fala sobre a história da HQ no Brasil e no mundo e,
ainda, faz um histórico da conturbada relação
entre HQs e educação no país.
“Achei importante contextualizar um pouco, para que o professor
não caia de pára-quedas na história. Por isso
mesmo, antes de entrar nos exercícios específicos,
ainda falo um pouco sobre mangás, os quadrinhos japoneses
que hoje em dia assustam muitos pais e educadores, e já ensino
a fazer um exercício de português e estudo do folclore
usando Dragon Ball, o mais popular dos desenhos do oriente”,
conta.
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| Pato
Donald como vítima do nazismo: quadrinhos refletem períodos
da história e foram utilizados como armas de comunicação
em diversas épocas |
Isso
feito, o autor descreve vários exercícios utilizando
HQs em matemática, português, física, biologia,
inglês, química, literatura, geografia e história.
Em geral, os exercícios propõe usar quadrinhos para
explicar determinados conteúdos ou então mostrar como
eles se inseriram em certos períodos e situações.
“São
dois ou três exercícios por disciplina, às vezes
mais. Há exemplos para uso no ensino infantil, fundamental
e médio,e o professor pode fazer suas próprias adaptações
ou até mesmo pedir ajuda, pelo e-mail disponibilizado no
livro”, diz.
Por fim, no último capítulo, o autor dá dicas
básicas, todas ilustradas, para professores e alunos produzirem
histórias e até montarem um fanzine em sala, como
atividade multidisciplinar. "Muitos professores tentam produzir
uma história com os alunos em sala, mas sempre se defrontam
com os mesmos problemas, como textos que não cabem em balões
e a dificuldade em desenhar os quadrinhos, por exemplo. Por isso
inclui uma mini-oficina no livro, para mostrar como superar estes
problemas e transformar a atividade de fazer HQs em algo mais simples
e divertido, mas ao mesmo tempo rico em conteúdo escolar”,
diz.
Para
DJota, as HQs são uma mídia atraente, financeiramente
acessível e fácil de usar. "Tem gente que acha
que quadrinhos são coisa de criança, mas eles são
muito mais do que isso: são uma forma eficiente de melhorar
o ensino e a relação professor/aluno”, conclui.
O livro foi publicado pela Papirus
Editora, tem 112 páginas e está sendo vendido
a R$ 28,50.
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