Sacis versus Potter

No último dia 27 de março, um belíssimo artigo sobre o livro foi publicado na Carta Maior, escrito pela professora e doutora em educação Betânia Libânio Dantas de Araújo. Nos dias seguintes, com uma rapidez fantástica, o mesmo artigo (chamado "Escola de Sacis contrapõe-se a Harry Potter) foi republicado em praticamente todos os sites de Harry Potter brasileiros (Hogsmeade, Profeta Diário, O mundo de Harry Potter e vários outros) e até mesmo em sites políticos, como o portal "Vermelho", página de partidos de esquerda. Nestas páginas políticas, foi ressaltado que o livro enaltece a cultura nacional.

Para minha (triste) surpresa, porém, alguns pottermaníacos começaram a se manifestar contra meu livro (sem que o tivessem lido, como eles mesmo admitiram) porque entenderam que eu "ridicularizava" Harry Potter, o "copiava para ganhar dinheiro" ou ainda "ofendia" o outro livro.

Assim, me vejo obrigado a prestar alguns esclarecimentos para os pottermaníacos que, de maneira radical, falaram do que não conheciam:

1 - Sou fã de livros de fantasia, aí inclusos Harry Potter, Crônicas de Nárnia, O Senhor dos Anéis, Disc World e tantos outros. A idéia de escrever meu livro, inclusive, veio do fato de que, sempre que eu os lia, pensava que também tínhamos no Brasil seres e criaturas fantásticos que podiam ser usados em uma boa história. Foi o que eu tentei fazer.

2- Não ridicularizo ou ofendo Harry Potter em meu livro. Pelo contrário, dialogo com a obra de JK Rowling, assim como o faço com " O Saci", de Monteiro Lobato. Há brincadeiras com vários recursos utilizados em livros de fantasia, sim, não só em Harry Potter, mas todas elas são na linha do bom-humor e não da ofensa.

3 - Não " copiei" nada de ninguém. Parto, sim, da mesma idéia de Harry Potter: um adolescente (no caso, uma menina) que descobre que o mundo tem muito mais magia do que ela imagina e que ela mesma está diretamente inserida nesta magia. E, ao mesmo tempo, uma aventura detetivesca dentro de uma escola, com um vilão misterioso. Ora, histórias detetivescas com vilões misteriosos e aventuras com turmas de amigos que se opõe umas as outras existem aos montes. Me lembro que uma das primeiras que eu li neste contexto, por exemplo, foi Os meninos da Rua Paulo, do escritor húngaro Ferénc Molnár (escrito em 1907). Já livros de magia, estes são inúmeros. E antes que alguém diga: "ah, mas sobre um adolescente órfão que descobriu ser um mago só tem o da JK Rowling", vale lembrar que bem antes dela, em 1982, a premiada autora infantil Diana Wynne Jones, criou um personagem chamado Tim Hunter. , no livro Witch Week. O tal Tim - que em 1991 ganhou uma versão escrita em quadrinhos por Neil Gaiman (Os Livros da Magia) é um menino inglês franzino e de óculos, cujos pais foram vítimas de um acidente, descobre às vésperas de seu aniversário de 12 anos que é na verdade um dos magos mais poderosos do mundo. A partir daí ele terá de aprender com professores que há muito já mexem com magia a controlar seus poderes, terá uma coruja como companheira e passará por muitas aventuras fantásticas na qual enfrentará criaturas do mal e as mudanças de sua própria adolescência... soa familiar?

4 - Por fim, agradeço aos fãs de Potter que me defenderam, seja porque leram o livro e gostaram, seja porque não o leram e me deram o direito da dúvida. Ninguém que tenha lido se manifestou para falar contra ele, mas se o fizer será bem-vindo, pois críticas são bem aceitas. O que lamento são aqueles que falam mal sem ler, até porque muita gente fez o mesmo com a série Harry Potter. Seria de se esperar, portanto, que ao menos os fãs de JK Rowling não repetissem um erro já cometido contra ela.

Um abraço a todos,

DJota, fã e autor de fantasia