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Coisa - Fevereiro - Chiara Rosemberg |
Chiara
Rosemberg: fetiches em HQ
Chiara
Rosemberg é uma judia casada com um católico. Romances
entre pessoas de religiões diferentes costumam gerar histórias
muito interessantes, tanto na ficção quanto na vida
real - que o diga, por exemplo, o pensador alemão Max Horkheimer,
da Escola de Frankfurt, um judeu de família rica deserdado
pelo pai depois de assumir a relação amorosa com uma
mulher católica, pobre e, pior, secretária do próprio
pai. Na graphic novel Chiara Rosemberg, porém, tal fato é
meramente um detalhe, que os leitores provavelmente nem terão
tempo de notar. Afinal, em Chiara, segundo álbum de História
em Quadrinhos publicada pela Zarabatana Books, de Campinas, o foco
é outro:o erotismo. E, mais especificamente, o fetiche. Ou
melhor, os fetiches.
Desenhada
com capricho pelo italiano Roberto Baldazzini, que desde o início
dos anos 90 é apontado como um dos novos mestres das HQs
eróticas, Chiara é uma verdadeira sucessão
de fantasias sexuais, a maior parte delas na linha do sadomasoquismo.
Isso porque o tal marido católico adora subjugar a esposa
que, por sua vez, arruma um amante que faz de escravo - ao menos
no início, já que depois o estranho rapaz a torna
objeto de um estranho culto.
Baldazzini
não faz desenhos extremamente explícitos, o que faz
com que a obra seja classificada como "erótico light",
mas não se engane: se não há pornografia, isso
não significa que a vida íntima da protagonista não
seja total e frontalmente (com o perdão do trocadilho) exposta.
Até o porque o trabalho do roteirista da história
parece ter sido simplesmente o de costurar em uma única narrativa
os mais diferentes fetiches, da dominação à
depilação.
Por
sinal, ironicamente, o parceiro de Baldazzini na história
é Celestino Pes. Irônico, no caso, porque o sobrenome
do roteirista, em português, indica outro fetiche bastante
presente na HQ, a ponto de Chiara merecer ser citada em sites e
publicações dedicadas à podolatria, como o
"Podolatria Brasil". É isso mesmo: sempre que pode,
o desenhista italiano coloca os pés da heroína em
destaque, de maneira sensual. O fato valeu até uma nota da
colunista Mônica Bérgamo, ao que parece uma fã
assumida de pés, no jornal Folha de S. Paulo.
Com
o mesmo capricho editorial que marcou o primeiro lançamento
da Zarabatana (O prolongado sonho do senhor T), Chiara
Rosemberg prima pelos desenhos de Baldazzini, ainda mais destacados
pelo branco e preto impresso com qualidade no papel couchet. Mas
é uma obra com público específico: aquele que
se interessa pelos quadrinhos eroticos e, mais especificadamente,
por práticas S&M e fetichismo.
O
livro tem 88 páginas, formato 21 x 28 cm, capa envernizada,
e pode ser encontrado nas melhores livrarias e bancas especializadas,
por R$ 39,00. E já que o tema é erotismo, o leitor
pode dar uma de voyeur antes de comprar: no site da Zarabatana (www.zarabatanabooks.com.br)
é possível dar uma olhadinha em algumas páginas
da HQ.
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