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Coisa -Fevereiro de 2007- Battle Royalle |
Battle
Royale: só o melhor sobrevive

Observar
o comportamento humano em situações extremas é
algo que fascina tanto cientistas quanto curiosos que não
tem nada a fazer. Assim, de maneira quase natural, experimentos
muitas vezes sérios denominados "zoológicos humanos",
nos quais homens e mulheres eram observados 24 horas por meio de
câmeras ocultas, evoluíram (?) dentro da indústria
do entretenimento para reality shows como "Big Brother"
ou "Survival" ("No Limite", na versão
brasileira.) Mas o que aconteceria se o governo resolvesse entrar
na onda e patrocinasse um experimento bem mais radical, no qual
os participantes realmente tivessem de matar ou morrer?
Mais
ainda, e se os participantes fossem sumariamente convocados para
o tal jogo, sem nenhuma escolha ou aviso prévio e, pior,
fossem adolescentes que até então conviviam no mesmo
colégio, na mesma sala de aula? Esta é a proposta
de Battle Royale, mangá (história em quadrinhos japonesa)
da dupla Koushun Takami e Masayuki Tahushi que ganhou versão
brasileira pela Conrad Editora. Os números um a três
da coleção prevista para 15 edições,
com 224 páginas cada, já estão nas bancas (R$
12,90 por exemplar; os dois primeiros estão sendo vendidos
com desconto de R$ 3,00).
Inspirada
no livro Batoru Rowaiaru, do próprio Takami, o mangá
é considerado um dos mais polêmicos lançados
no Japão e teve diversas cenas censuradas na versão
publicada nos Estados Unidos. Ainda assim, foi o suficiente para
o diretor Quentin Tarantino, aquele de filmes sanguinolentos como
Kill Bill eo clássico Pulp Fiction, declarar
sobre Battle Royale: "É a história mais violenta
que eu já vi."
A história
se passa na ficticia "República do Leste Asiático",
um país fascista e riquíssimo, graças à
exportação de produtos de alta tecnologia, no qual
qualquer atitude considerada subversiva (entre as quais ouvir rock´n´roll,
símbolo máximo do inimigo imperialista EUA, por exemplo)
podem ser punidas de forma exemplar. Apesar da pouca liberdade,
a população não se mobiliza contra o governo,
pois a maioria absoluta está satisfeita com a vida opulenta
que vive.
Com
o propósito divulgado de "testar e simular a reação
da população a situações extremas como
a guerra", o governo cria "O Programa". Anualmente,
uma sala inteira do último ano do ensino fundamental é
"sorteada" e levada compulsoriamente a um local previamente
esvaziado (uma vila, uma prisão, uma ilha...). Se algum pai
ou professor protesta, é imediatamente morto.
Uma
vez isolados, inicia-se um jogo macabro entre os alunos: eles devem
se matar, entre si, até que um único (o mais forte
ou o mais inteligente) sobreviva. Todo
o perímetro do local é cercado pelo exército,
que atira em quem tentar fugir. Cada aluno recebe um kit com armas
diferentes (que vão de um boomerangue a granadas de mão)
e tem colocada no pescoço uma coleira bomba, que é
ativada caso ninguém morra em um prazo de 24 horas ou se
um deles permanecer parado em determinado local por muito tempo.
A propósito,
o nome Battle Royale é uma referência justamente ao
tipo de luta em que só um sobrevive,
que era praticada durante o Império Romano entre gladiadores
e aquele que ficasse vivo seria libertado. Apesar
de extremamente violento (inclusive do ponto de vista gráfico),
o mangá trabalha questões que despertam o interesse
de qualquer um, como por exemplo até que ponto uma pessoa
pode ir para defender a própria vida e, mais ainda, você
realmente conhece o amigo que está do seu lado desde a infância...
e seria capaz de matá-lo ou de morrer por ele?
O personagem
principal da aventura é Shuya Nanahara, um órfão
cheio de alegria, otimismo e esperança, que já de
início perde o melhor amigo e se vê responsável
pela namorada dele.
Como
nos reality shows da TV, os personagens aos poucos revelam suas
histórias pessoais, por vezes extremamente cotidianas, por
outras recheadas de problemas adolescentes e sexo.
mas
neste ponto há duas diferenças entre Battle Royale
e os realities: as histórias tem direito a flashbacks
fartamente ilustrados e há um roteiro inteligente por trás
delas, que leva o leitor a se interessar ou torcer por um personagem
por motivos menos superficiais que os da TV.
No
Japão, o livro, depois de ter virado quadrinho, também
virou filme (que deve ganhar versão estadunidense em breve).
Enfim, Battle Royale é uma história intensa, viciante
e muito interessante, mas para quem tem estômago forte, pois
o sangue jorra como água. Em tempo: a versão nacional
é proibida para menores de 18 anos.
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