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Coisa - Julho _ especial Superman Returns - Super-Homem ou Jesus? |
Em
Dissertação da Unicamp de 2002, sobre a Morte de Heróis,
professor mostra semelhanças entre Super-Homem e Jesus
O
norte-americano Stephen Skelton acaba de lançar nos Estados
Unidos o livro "The Gospel According to the Greatest Super
Hero", no qual, entre outras coisas, enumera semelhanças
entre a história do Super-Homem e a de Jesus Cristo. Muito
antes do livro, porém, o professor Dario Carvalho Júnior
já ressaltava estas semelhanças em sua dissertação
de Mestrado, A Morte do Herói- Introdução ao estudo
de sobrevivência de modelos míticos nas Histórias em Quadrinho,
defendida na Faculdade de Educação da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp).
"Na
realidade, muitos estudiosos brasileiros e estrangeiros já
notaram estas semelhanças. O brasileiro Sérgio Augusto
já havia escrito um ensaio para a revista Cultura Vozes na
década de 70 sobre o fato, assim como o renomado Roger Sabin
fala sobre isso no seu Comics, Comix & Graphic Novels.
a novidade na minha dissertação foi verificar como
a morte do herói o decalcava ainda mais sobre Jesus Cristo
e como isso explica o porquê do Superman ter morrido...e ressuscitado",
diz Carvalho Júnior.
O
Mundo HQ reproduz abaixo, com exclusividade, um trecho da dissertação
(que pode ser conferida no site da Unicamp) na qual Carvalho Júnior
- que é professor do Centro de Linguagem e Comunicação
da PUC-Campinas - discorre sobre o assunto:
"(...)
A morte, no entanto, o aproximaria de novo de sua origem de herói
épico: o Super-Homem faria sua ascensão ao divino. Mais ainda, a
morte seguida de uma ressurreição reafirma que ele é o maior dos
heróis, possível de ser comparado apenas ao maior dos heróis registrados
na história e único a ter ressuscitado: Jesus Cristo.
A
comparação não é gratuita, já que a própria gênese do herói pode
ser facilmente identificada com a do Cristo. Ele veio do céu (a
nave espacial o trouxe) e quando chegou uma estrela brilhou indicando
o local onde o bebê estava (na verdade, o rastro de sua própria
nave). Ao retratarem a cena em que o bebê é encontrado, os desenhistas
constantemente mostram a criança em uma pequena cápsula facilmente
identificável com a clássica cena da manjedoura, imortalizada em
quadros e ilustrações de todas as épocas.
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Etimologia do nome do herói KAL
EL:
1. Do alto alemão antigo KHARAL = homem
2. Do germânico KARALMANN = homem vigoroso
3. Do árabe KALED = imortal
4. Do árabe KALIL = amigo íntimo
5. Do hebraico KAL EL = amigo de Deus
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Seu
nome verdadeiro, Kal El, tem origem ou som judaico (veja quadro
ao lado). Em 1 de maio de 1995 o jornal Jerusalem Post publicou
estudo afirmando que o Super-Homem é uma figura tipicamente judia.
Segundo o jornal, o nome do original do herói, Kal El, tem "som
judeu" e pode ser interpretado com o significado de "deus" em hebraico.
Ainda de acordo com o estudo, a missão do herói - defender os mais
fracos em uma eterna busca por Justiça - corresponde ao conceito
religioso judeu do "Tikkun olan", ou reparação das imperfeições
do mundo. Por fim, o disfarce original do herói para se "vestir'de
Clark Kent (óculos e chapéu de feutro) seria também prova de origem
judaica. Segundo declarações do então presidente da Fundação Norte-Americana
pela Cultura Judia, Daniel Schifrin, "essas características são
atribuídas normalmente aos judeus da Diáspora, sob os quais se esconde
o combatente hebreu, portador de uma missão divina". Siegel e Shuster
já haviam falecido quando foi publicado o estudo, mas a viúva de
Siegel, Joanna Carter, afirmou que as "tendências judias" do personagem
não foram intencionais, apesar de o marido ter ouvido hebraico durante
a infância e "provavelmente ter sido influenciado de maneira inconsciente."
Os
nomes do casal que encontrou o Super-Homem, declaradamente cristãos,
dão mais uma pista bíblica: Jonathan e Martha. (...) Jonathan era
filho de Saul e amigo de Davi. Martha era irmã de Lázaro e Maria,
a amiga de Jesus (...)
Depois
de crescido, Super-Homem é capaz de fazer verdadeiros milagres,
mas trabalha sempre para o bem e usa sua força em prol da humanidade,
para nos salvar. A morte do herói é ainda mais emblemática. O vilão
que o mata é um monstro disforme, chamado Doomsday, que em inglês
quer dizer "Dia do Juízo Final", aquele previsto na Bíblia para
o fim dos tempos.
Ao contrário do herói, o vilão surge das profundezas da terra, de
onde desde antes do Inferno de Dante esperamos que venha nossa perdição.
Por fim, Super-Homem morre para nos salvar - e, como um bom herói
épico, para salvar o mundo do Caos - e a cena da morte, da qual
a ilustração é aqui reproduzida, remete de maneira icônica à escultura
La Pietá, de Michelângelo, que mostra Jesus nos braços de Maria.
Alguns dias depois da morte, surgem rumores de que Super-Homem foi
visto pelas mais diversas pessoas nos arredores de Metrópolis, sempre
fazendo boas ações - salvando vítimas de estupro, assaltos, incêndios...

Lois Lane decide entrar no túmulo onde o Homem-de-Aço foi colocado:
o local está vazio e resta nele apenas o lençol que envolvia o corpo
(ou seria o santo sudário?). Com efeito, ele ressuscita, mais uma
vez para nos salvar. A origem épica do herói agora está agora reforçada
e recontada, da mesma forma em que ele promove um afastamento de
sua humanidade.
Agora
ele é, sem dúvida, o herói dos heróis, literalmente "à Sua imagem
e semelhança." Mas se a intenção de ascender o Super-Homem à divindade
é clara, ainda assim resta a pergunta: por quê traze-lo para perto
de suas raízes épicas mais uma vez?
A
resposta pode ser encontrada dentro da narrativa. Diferentemente
do que aconteceu com Rê Bordosa, a identidade do Super-Homem nunca
entrou em conflito com seu mundo fictício. Pelo contrário, o herói
teve sua identidade modificada, moldada para adaptar-se ao mundo
conforme o próprio mundo mudava. Ou seja, neste sentido foi aproximando-se
cada vez mais do herói prosaico, cada vez mais humanizado.
O
mundo do Super-Homem, por sua vez, também foi mudado a partir da
humanização dos super-heróis para refletir o mundo real exterior
à HQ. Desta forma, um problema começou a se delinear: o Super-Homem
- assim como os demais super-heróis - estava cada vez mais prosaico
e seu mundo cada vez mais organizado e fundado. Se continuasse como
estava, o herói em breve deixaria de ser uma distorção do herói
épico para tornar-se uma tentativa medíocre de herói romanesco.
Mais: fatalmente tornaria-se tão humano que deixaria de ser super
e eventualmente morreria, sem possibilidade de ressuscitar. A morte
e ascensão divina, assim, vieram resolver parte do problema: Super-Homem,
ressuscitado, voltaria ao épico" - trecho da dissertação
de mestrado " - Trecho
extraído de "A Morte do Herói- Introdução ao
estudo de sobrevivência de modelos míticos nas Histórias em Quadrinhos",
de Dario Carvalho Jr.
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