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Coisa - Julho/Agosto de 2005 |
Tintin
volta ao Brasil
Por
Mateus Passos
Finalmente!
Há anos os fãs do repórter belga - que só faz reportagem em duas
ou três histórias, mas isso não vem ao caso - precisam desembolsar
uma pequena fortuna (60 reais, caro internauta!) para comprar cada
aventura do personagem, nos livros em capa dura da portuguesa Verbo,
pois as edições Record estão esgotadas. Mas isso deve mudar: a Companhia
das Letras anunciou, para o segundo semestre de 2005, o lançamento
de 'Os Charutos do Faraó' e 'O Loto Azul'. É
o início da republicação de toda a série, com 23 volumes.
Tintim foi
criado pelo cartunista belga Georges Rémi (a pronúncia de suas
iniciais, R.G., soa como Hergé, palavra adotada como pseudônimo
pelo artista) para o 'Le Petit Vingtiéme', suplemento infantil do
jornal 'Le Vingtieme Siècle'. Com seu cachorrinho Milou, Tintim
foi investigar a União Soviética em 'Tintim no País dos Sovietes',
cuja trama politicamente tendenciosa foi mais tarde repudiada pelo
próprio autor.
Em
1931, o personagem visitou para a África, no ano seguinte os EUA
e em 1934 o Egito, sempre em histórias simples, com apresentavam
versões caricaturadas dos países e seus habitantes. Aí surgiram
personagens secundários presentes em toda a série: a dupla de detetives
Dupond e Dupont e o vilão Roberto Rastapopoulos. Tiveram início
os álbuns do personagem, com 62 páginas de aventura, ação e humor.
Quando,
em 1936, Hergé decidiu dar seqüência a 'Os Charutos do Faraó' (no
Egito) com 'O Loto Azul', ambientada na China, um padre sugeriu
ao artista que pesquisasse os países e seus costumes antes de escrever
sobre eles. O resultado foi uma visível melhora na qualidade dos
enredos e a criação de Chang, jovem chinês com quem Tintim cria
fortes laços de amizade.
Seis
anos depois, no álbum 'O Caranguejo das Tenazes de Ouro', surgiu
um dos personagens secundários cujo carisma se iguala (e talvez
até supere) ao do protagonista: Haddock, capitão de navio cujos
'Raios e coricos!' o imortalizaram entre os fãs da série. De beberrão
a aventureiro, o pacífico proprietário do castelo de Moulinsart
é uma das mais divertidas presenças da série, ao lado do professor
Trifólio Girassol, cientista que é a versão surda do Mr. Magoo.
Em
23 histórias (incluindo 'No País dos Sovietes'), Tintim e sua trupe
foram à Lua, ao Tibete, encontraram remancescentes do Império Inca,
participaram de uma revolução na América do Sul e até foram abduzidos
por um disco voador.
A
trama mais signficativa, para este fã, é 'As Jóias de Castafiore',
que prova a genialidade de Hergé ao criar uma trama jocosa e envolvente
sem precisar de recursos de ação. Última história Em 1983, quando
morreu por anemia e insuficiÊncia pulmonar, Hergé estava trabalhando
em mais uma álbum da série: 'Tintin et l'Alph-Art'. A Alph-Art,
referência à Pop-Art, é um estilo de esculturas de letras do alfabeto,
por trás da qual está uma seita comandada pelo eterno vilão Rastapopoulos.
A
história tem 41 pranchas desenhadas por Hergé - nenhuma está arte-finalizada
e algumas não passam de esboços. Ainda assim, foi publicada na Bélgica,
França, EUA e Portugal. Alguns artistas omram para si o desafio
de concluir a história de forma digna. A versão mais elogiada é
a do canadense Yves Rodier, encontrada em programas de compartilhamento
de arquivos (EMule, BitTorret etc).
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