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HQ Coisa - Dezembro de 2002

A volta do Espírito da Flecha

Apesar da roupa de Robin Hood (ou quem sabe por causa dela), Oliver Queen é um dos super-heróis mais queridos pelos leitores adultos de HQs. Talvez seja por seu ar de nostalgia (combater vilões usando apenas um arco-e-flecha é coisa de livro e filme antigo...), talvez por sua pesonalidade difícil e cativante - Queen é um homem anti-sistema, que considera a polícia e o Estado como fascistas e vive se metendo em enrascadas para defender ideologias ambientalistas, por exemplo... Assim, quando o Arqueiro Verde morreu em uma explosão de um avião em uma HQ publicada na revista do Super-Homem já há algum tempo, aqui no Brasil, ninguém ficou muito feliz.

O Arqueiro, claro, foi substituído por um personagem mais jovem, Connor, seu suposto filho, um garoto criado por monges e super-disciplinado, mas ninguém digeriu muito bem a alternativa proposta pela DC. E foi assim que o argumentista Kevin Smith (diretor do filme Dogma, entre outros) foi encarregado de ressuscitar o Arqueiro, em uma história pra lá de boa que o leitor brazuca pode acompanhar na minissérie Arqueiro Verde - O Espírito da Flecha, que a Panini Comics lançou este mês as bancas de todo o país (ao todo serão cinco edições, coloridas, com 50 páginas cada, a R$ 4,90 por edição).

A aventura começa com alguns antigos amigos (e uma amante de Queen, a heroína Canário Negro) lembrando-se do arqueiro. Logo depois, o herói reaparece em trajes mulambentos, barba por fazer, um verdadeiro fantasma, na sua cidade Natal, Star City. "Adotado" por uma vítima que salva de bandidos (um velho milionário gay), Oliver renova o guarda-roupa e as flechas, e volta à ativa contra um bandido sanguinário que ataca crianças da cidade.

No entanto, o herói parece não se lembrar que esteve ausente, muito menos de sua morte - Queen havia explodido com um avião de eco-terroristas porque a única alternativa para sobreviver seria permitir que o Super-Homem amputasse seu braço. Aliás, o herói aparentemente está com os dois braços normais, algo que Kevin Smith vai ter de suar muito para explicar convincentemente, já que até mesmo em histórias passadas no futuro DC , como "Cavaleiro das Trevas"(I e II), , o Arqueiro aparece sem um dos braços.

Mas se há alguém capaz de arrumar um bom argumento para o braço "voltar", esse alguém é Kevin Smith. O Espírito da Flecha mostra já no primeiro capítulo ser uma excelente história. E uma história para adultos pensantes, como a maioria das de Queen.

 

Já no primeiro número há sexo oral entre Queen e a Canário (uma memória antiga, nada explícita, mas bem clara), e diálogos contundentes entre Oliver e seu patrocinador homossexual. Para não mencionar que o herói se envolve logo de cara com um vereador corrupto que promove orgias e tem preferência por garotinhas menores de idade. Todo este mundo cão bem amarrado em um argumento, pelo menos por enquanto, redondinho.

Vale lembrar que O Espírito da Flecha reúne, em suas cinco edições, os dez exemplares iniciais da revista própria do Arqueiro Verde, publicada nos EUA. Longa nova vida a Robin Hood, ou melhor, Oliver Queen!

 

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