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A
volta do formatinho: a favor
(clique
aqui para ler o contra)
O
GIBI COM CARA DE GIBI ESTÁ DE VOLTA!
por Delfin
A vida dos novos leitores de quadrinhos no Brasil pode mudar pra
sempre... de novo. Chegaram às bancas cinco "novos"
gibis de super-heróis, fininhos, em formato pequeno, a um preço
realmente baixo. É mais uma história no meio da grande guerra editorial
que vem sendo travada pelo mercado de quadrinhos desde pelo menos
os últimos cinco anos.
O
último capítulo da batalha, talvez o mais importante (por causa
dos nomes envolvidos), está se desenrolando desde janeiro, e é uma
verdadeira revolução nos quadrinhos de super-heróis. O motivo foi
a saída do Universo Marvel da editora Abril para a recém-fundada
Panini Comics. E de repente o mundo heróico se dividia em dois pólos
distintos, como não acontecia desde o início dos anos 80, quando
Abril e a extinta editora Brasil-América (EBAL) disputavam a preferência
dos leitores.
A Panini, editora com sede na Itália que representa a Marvel fora
dos Estados Unidos, logo de cara lançou seis revistas em formato
grande, com 100 páginas cada uma, a preço mais baixo. E a Abril,
o que faria com sua linha de heróis restante, a DC Comics, que havia
sido elitizada há aproximadamente dois anos?
Depois de muita deliberação, a palavra de ordem agora é "popularizar
para aumentar o público". E estava decretada a morte dos chamados
almanaques premium/platinum, em formato americano, com 160 páginas
quinzenais, papel brilhante e ótimo acabamento gráfico, caríssimos.
No
lugar, cinco novos gibis (ainda quinzenais), com 50 páginas cada
um, com preço de R$ 2,50 (75% menor que o praticado anteriormente),
em papel jornal e, principalmente, no consagrado (e muitas vezes
difamado) formatinho.
Segundo
Marco Moretti, editor da nova linha de quadrinhos (intitulada Planeta
DC), a medida é necessária para que o público de quadrinhos de heróis,
estagnado há anos, seja finalmente renovado. Por isto mesmo, segundo
ele, a distribuição será novamente nacional, ou seja, o país todo
receberá a mesma revista ao mesmo tempo. Fazendo as contas, há perdas
e ganhos em tudo isso, como em todas as guerras.
Os ganhos são óbvios: com gibis mais baratos, mais pessoas podem
comprá-los. Com as histórias pulverizadas em mais gibis, os leitores
podem comprar apenas as histórias que querem ler, sem levar pra
casa um monte de personagens indesejados. Mas estes ganhos podem
ser ilusórios. Realmente, em comparação à concorrência, está se
oferecendo um produto realmente mais popular e vantajoso. Mas o
volume de páginas de histórias a ser impresso quinzenalmente é menor
do que anteriormente. Ou seja, o leitor vai ler menos histórias
nas revistas regulares. Certo? Segundo Moretti, parcialmente certo.
É verdade que as páginas regulares dos gibis vão diminuir, mas para
compensar o leitor, a editora promete que, mensalmente (menos em
maio), irá lançar cinco títulos especi-ais, com histórias exclusivas
e minisséries, em formato americano, para o leitor mais exigente.
Alguns dos lançamentos previstos são: Arqueiro Verde, de Kevin Smith
(o cineasta autor de Barrados no Shopping), Crise nas Infinitas
Terras e o polêmico Mundos em Guerra, série
em que dois importantes personagens do mundo do Superman morrem...
sem direito a ressureição.
Será está a última batalha a ser travada nas bancas, que cada vez
ficam mais cheias de bons materiais e com mais editoras participando
e brigando pelo dinheirinho suado do leitor? Com certeza não, mas
é interessante notar que este é o melhor momento editorial dos gibis
desde o chamado boom de 1991. E, desta vez, a briga parece mesmo
ser pra valer.
O FILHO PRÓDIGO (E RENEGADO)
A
Abril, com o relançamento de sua linha de formatinho, vem se divulgando
como a editora que trouxe de volta este modelo consagrado de publicações.
Mas isso não chega nem perto da verdade. O estilo do formatinho,
pra ser bem sincero, nunca saiu das bancas. Apenas mudou de dono.
Quando a Abril decidiu acabar com eles, o mercado já tinha sido
tomado de assalto pelos mangás. Na verdade, foi exatamente neste
momento que o formato, mesmo sendo lido de trás pra frente, mesmo
sendo preto-e-branco, conseguiu arrebanhar um enorme número de leitores.
O melhor: a maior parte eram novos leitores, ou seja, havia (e ainda
há) um público leitor em formação. E a tendência é a de crescimento
deste mercado, que ainda tem muito potencial inexplorado. Vendo
que isso acontecia, algumas editoras pequenas começaram a reduzir
seus formatos, como forma de reduzir custos e ampliar público (ou
seja, o mesmo pensamento da Abril). Primeiro foi a Mythos, num formato
que era um arremedo do formato americano. Depois a Pandora, com
o seu irregular (e hoje extinto) Almanaque Marvel. Mas a primeira
editora a ainda manter uma revista regular em formatinho é a Brainstore,
com a sua revista DC Millenium. Segundo o editor Eloyr Pacheco,
a DC Millenium pode, aos olhos do público, funcionar como uma "sexta
revista" do Planeta DC. A publicação, que está no número 3, é mensal,
com 84 páginas e um papel melhor que o usado pela Abril, ao custo
de R$ 4,90. Dentro, portanto, dos parâmetros de custos que se pretende
impôr como padrão. Com personagens legais, como Impulso, Batman
e Os Novos Deuses de John Byrne, a revista têm fôlego para durar
muito tempo. Resta saber se haverá algum tipo de reação por parte
da Abril em relação ao "filho renegado" da família DC.
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