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HQ Coisa - Junho de 2002

A volta do formatinho: a favor

(clique aqui para ler o contra)

O GIBI COM CARA DE GIBI ESTÁ DE VOLTA!
por Delfin

A vida dos novos leitores de quadrinhos no Brasil pode mudar pra sempre... de novo. Chegaram às bancas cinco "novos" gibis de super-heróis, fininhos, em formato pequeno, a um preço realmente baixo. É mais uma história no meio da grande guerra editorial que vem sendo travada pelo mercado de quadrinhos desde pelo menos os últimos cinco anos.
O último capítulo da batalha, talvez o mais importante (por causa dos nomes envolvidos), está se desenrolando desde janeiro, e é uma verdadeira revolução nos quadrinhos de super-heróis. O motivo foi a saída do Universo Marvel da editora Abril para a recém-fundada Panini Comics. E de repente o mundo heróico se dividia em dois pólos distintos, como não acontecia desde o início dos anos 80, quando Abril e a extinta editora Brasil-América (EBAL) disputavam a preferência dos leitores.
A Panini, editora com sede na Itália que representa a Marvel fora dos Estados Unidos, logo de cara lançou seis revistas em formato grande, com 100 páginas cada uma, a preço mais baixo. E a Abril, o que faria com sua linha de heróis restante, a DC Comics, que havia sido elitizada há aproximadamente dois anos?
Depois de muita deliberação, a palavra de ordem agora é "popularizar para aumentar o público". E estava decretada a morte dos chamados almanaques premium/platinum, em formato americano, com 160 páginas quinzenais, papel brilhante e ótimo acabamento gráfico, caríssimos.
No lugar, cinco novos gibis (ainda quinzenais), com 50 páginas cada um, com preço de R$ 2,50 (75% menor que o praticado anteriormente), em papel jornal e, principalmente, no consagrado (e muitas vezes difamado) formatinho.
Segundo Marco Moretti, editor da nova linha de quadrinhos (intitulada Planeta DC), a medida é necessária para que o público de quadrinhos de heróis, estagnado há anos, seja finalmente renovado. Por isto mesmo, segundo ele, a distribuição será novamente nacional, ou seja, o país todo receberá a mesma revista ao mesmo tempo. Fazendo as contas, há perdas e ganhos em tudo isso, como em todas as guerras.
Os ganhos são óbvios: com gibis mais baratos, mais pessoas podem comprá-los. Com as histórias pulverizadas em mais gibis, os leitores podem comprar apenas as histórias que querem ler, sem levar pra casa um monte de personagens indesejados. Mas estes ganhos podem ser ilusórios. Realmente, em comparação à concorrência, está se oferecendo um produto realmente mais popular e vantajoso. Mas o volume de páginas de histórias a ser impresso quinzenalmente é menor do que anteriormente. Ou seja, o leitor vai ler menos histórias nas revistas regulares. Certo? Segundo Moretti, parcialmente certo.
É verdade que as páginas regulares dos gibis vão diminuir, mas para compensar o leitor, a editora promete que, mensalmente (menos em maio), irá lançar cinco títulos especi-ais, com histórias exclusivas e minisséries, em formato americano, para o leitor mais exigente. Alguns dos lançamentos previstos são: Arqueiro Verde, de Kevin Smith (o cineasta autor de Barrados no Shopping), Crise nas Infinitas Terras e o polêmico Mundos em Guerra, série em que dois importantes personagens do mundo do Superman morrem... sem direito a ressureição.
Será está a última batalha a ser travada nas bancas, que cada vez ficam mais cheias de bons materiais e com mais editoras participando e brigando pelo dinheirinho suado do leitor? Com certeza não, mas é interessante notar que este é o melhor momento editorial dos gibis desde o chamado boom de 1991. E, desta vez, a briga parece mesmo ser pra valer.

O FILHO PRÓDIGO (E RENEGADO)

A Abril, com o relançamento de sua linha de formatinho, vem se divulgando como a editora que trouxe de volta este modelo consagrado de publicações. Mas isso não chega nem perto da verdade. O estilo do formatinho, pra ser bem sincero, nunca saiu das bancas. Apenas mudou de dono. Quando a Abril decidiu acabar com eles, o mercado já tinha sido tomado de assalto pelos mangás. Na verdade, foi exatamente neste momento que o formato, mesmo sendo lido de trás pra frente, mesmo sendo preto-e-branco, conseguiu arrebanhar um enorme número de leitores. O melhor: a maior parte eram novos leitores, ou seja, havia (e ainda há) um público leitor em formação. E a tendência é a de crescimento deste mercado, que ainda tem muito potencial inexplorado. Vendo que isso acontecia, algumas editoras pequenas começaram a reduzir seus formatos, como forma de reduzir custos e ampliar público (ou seja, o mesmo pensamento da Abril). Primeiro foi a Mythos, num formato que era um arremedo do formato americano. Depois a Pandora, com o seu irregular (e hoje extinto) Almanaque Marvel. Mas a primeira editora a ainda manter uma revista regular em formatinho é a Brainstore, com a sua revista DC Millenium. Segundo o editor Eloyr Pacheco, a DC Millenium pode, aos olhos do público, funcionar como uma "sexta revista" do Planeta DC. A publicação, que está no número 3, é mensal, com 84 páginas e um papel melhor que o usado pela Abril, ao custo de R$ 4,90. Dentro, portanto, dos parâmetros de custos que se pretende impôr como padrão. Com personagens legais, como Impulso, Batman e Os Novos Deuses de John Byrne, a revista têm fôlego para durar muito tempo. Resta saber se haverá algum tipo de reação por parte da Abril em relação ao "filho renegado" da família DC.

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