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Coisa - Fevereiro de 2002 |
Frank
Miller arrasa de novo !!!
Saiba
aqui tudo o que você quer saber sobre DK2
Em
um hoje longínquo 1987, o quadrinista Frank Miller chacoalhou o
mundo dos quadrinhos ao lançar Cavaleiro das Trevas (The Dark Knigth),
uma história em quadrinhos caprichada - que na época os amantes
da HQ adoravam chamar de Graphic Novel - na qual o principal herói
era um Batman velho, violento, extremamente obsessivo e disposto
a tudo para impor a Justiça. Com um roteiro muito bem amarrado e
recursos visuais até então inéditos, a minissérie de Miller tornou-se
um marco na história dos quadrinhos e a história mais apreciada
e elogiada de todos os tempos. Pelo menos até a próxima terça-feira,
dia 26, quando chega às bancas e lojas especializadas O Cavaleiro
das Trevas II, uma "continuação" da história lançada 15 anos
depois do fenômeno DK, como é conhecido nos Estados Unidos.
Por quê retomar uma idéia tanto tempo depois? "É muito simples.
Eu ainda tinha uma história para contar", responde Miller. Mas será
que esta história conseguiria superar o que Miller já fez? Uma tarefa
um tanto difícil, afinal a primeira história foi, para dizer o mínimo,
fantástica. DK1 mostrava um Bruce Wayne na casa de seus 50 anos,
em um futuro no qual Batman era apenas uma lenda em Gotham City
(o milionário havia pendurado há capa há uma década, em virtude
da morte de Jason Todd, o Robin). Mas o espírito do Justiceiro é
despertado pelas violência da cidade e ele volta à ativa com muito
mais violência e sarcasmo, e com uma Robin de 13 anos (que em DK2
aparece como Mulher-Gata).
Batman
transforma a cidade em um verdadeiro campo de guerra e atraí a atenção
do governo americano, que havia proibido a ação dos super-heróis
nos Estados Unidos. À exceção de seu super-herói de estimação: o
Super-Homem, que acaba partindo para o confronto com Batman. Some-se
a tudo isso um confronto nuclear entre Estados Unidos e Rússia,
gangues fascistóides descontroladas e o retorno de um Coringa também
mais violento e homicida, e a fórmula de DK1 parece ser imbatível.
A julgar pela sinopse de Cavaleiro das Trevas II, no entanto, pode
não ser.
A aventura - que a Abril Jovem lança no Brasil em três capítulos
de 84 páginas cada, a R$ 6,50 por fascículo - se passa logo depois
do desaparecimento do Homem-Morcego no primeiro Cavaleiro das Trevas.
Vale aqui um parêntese: não é preciso ler a primeira série para
entender e gostar desta, mas em todo caso a Abril pretende relançar
DK1 ainda neste mês para quem não teve a chance.
Três
anos depois da suposta morte de Batman na primeira aventura, os
Estados Unidos estão praticamente em guerra civil. O presidente
americano é um fantoche do arquivilão Lex Luthor, que promove um
fascismo velado enquanto o país desmorona. Os super-heróis continuam
proibidos de exercer qualquer atividade, mas sempre que precisa
fazer um servicinho sujo o governo americano aprisiona os familiares
dos heróis e os tortura para obrigá-los a agir conforme os estados
Unidos desejam.
Muitos
heróis da velha guarda estão presos ou mortos - o Flash, por exemplo,
esta aprisionado e sendo usado como um dínamo, gerando energia para
toda a Costa Leste dos EUA! O Super-Homem, por sua vez, tornou-se
o maior agente da repressão do governo, mas age como se fosse uma
máquina sem emoções. Revoltado com a situação geral, o Homem-Morcego
e seus seguidores saem do esconderijo (um gigantesco complexo de
cavernas sob Gotham City) e decidem monta sua própria milícia com
os antigos integrantes da Liga da Justiça , para derrubar o governo
dos EUA e controlar o crime.
Porém, Lex Luthor descobre os planos de Batman e promete arrasar
a revolta dos heróis. Além de todo este roteiro bem amarrado, Miller
desenhou seqüências que - curiosamente, já que os dois primeiros
números da série foram desenhadas antes de 11 de setembro - assemelham-se
com os ataques terrristas feitos ao World Trade Center e às retaliações
americanas "O que é mais bizarro é que antes de 11 de setembro eu
desenhei seqüências que parecem retaliações diretas ao ocorrido",
diz. "E vocês verão minha reações aos ataques no terceiro volume.
Eu não estou nem aí pra ser politicamente correto... não ficarei
rodeando o assunto como o resto da indústria do entretenimento está
fazendo. Abordei o assunto diretamente", diz.
Nos
Estados Unidos, a série foi lançada em cinco de dezembro de 2001
e toda a tiragem da primeira edição foi vendida duas semanas antes
da estréia, batendo o recorde de vendas da indústria dos quadrinhos.
Por aqui, a Abril aposta alto na série - promove
até mesmo uma festa de lançamento antecipada em São Vicente,
com direito a BatSinal no céu - e a classifica da seguinte maneira:
"'É como se Shakeaspeare voltasse à vida para escrever uma continuação
de Hamlet". Uma comparação exagerada, com certeza. Mas uma coisa
não é exagero: com Cavaleiro das Trevas II, Miller vai mais uma
vez estabelecer um novo marco na história das HQs.
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