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Quadrindex, nossa
enciclopédia de personagens

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

HQ Coisa

Fracassado de sucesso
Diomedes, o detetive anti-herói criado por Lourenço Mutarelli, está de volta em "O Rei do Ponto"

Ele tem um nome esquisito e sua aparência não é nada atraente - nas palavras do criador Lourenço Mutarelli, "uma mistura do (ator) José Lewgoy com o detetive chinês de desenhos animados Charlie Chan". Além disso, o detetive Diomenes é altamente ineficiente na vida profissional, acumula dívidas por todos os lados, mora em um escritório imundo, bebe e fuma muito, foi abandonado pela mulher e não vê o filho e o neto há muitos anos.
Apesar de ser um verdadeiro fracasso como ser humano, Diomedes é um sucesso como personagem de histórias em quadrinhos e acaba de voltar às livrarias e lojas especializadas em HQs com o livro O Rei do Ponto ('Formatão'; 112 páginas em preto e branco; capa colorida; R$ 17,50).
A segunda aventura do detetive - que é o primeiro personagem fixo de Mutarelli, cartunista que já ganhou vários prêmios HQMix e Ângelo Agostini - se passa após os eventos ocorridos no primeiro livro, O Dobro de Cinco. O Rei do Ponto, porém, é uma aventura independente e não é preciso ter lido a primeira história para entender esta, mesmo porque os pontos importantes da história anterior são relembrados (e até esclarecidos), de forma que o leitor não precisa se preocupar em ter lido O Dobro de Cinco (mas que vai ficar com vontade, isso vai...)
Em "O Rei...", Diomedes é chantageado por um investigador de polícia, Germano Cale, um sujeito grandalhão que veio do interior do Braxil (o país "fictício" onde se passa a história) disposto a qualquer coisa para subir na vida. Cale sabe um segredo sujo do passado recente de Diomedes e o utiliza para "convencer" o detetive a ajudá-lo a elucidar um misterioso caso de assassinatos: casais estão sendo envenenados com veneno de rato em encontros amorosos.
Completa o time dos mocinhos (??!!) o também investigador Valdir, um negro culto e inteligente que tem vergonha de suas origens, e que também é chantageado por Germano Cale. A investigação leva os três a uma aventura cheia de mistérios, corrupção (mais ainda), violência e um pouco de sexo, no melhor estilo de um romance policial.
Vale ressaltar que não há violência ou nudez gratuita na HQ. Tudo se encaixa com perfeição no roteiro de Mutarelli, que por sinal é muito bem amarrado e cheio de citações literárias e históricas - que não só engradecem a história como conquistam o leitor.
Talvez por isso o público de Mutarelli seja um tanto quanto diferenciado. "Geralmente os leitores - são mais homens que mulheres - estão acima dos 18 anos e são universitários, mais ligados à literatura que aos quadrinhos", explica.
O carisma de anti-herói de Diomedes é inegavelmente um atrativo à parte nas HQs. "Ele é um delegado de polícia aposentado que ganha muito mal, por isso trabalha como detetive, mas um detetive despreparado, do 3º mundo, que nunca resolve um caso. Nesta aventura o leitor consegue solucionar o caso, ele não! É um tipo rude, de pouca cultura e que joga sujo se precisar, mas é capaz de atitudes inesperadas. Por exemplo: às vezes não atira porque acha que só apontando a arma, o cara vai entender e não vai atirar ele. Em outras atira pelas costas porque o cara desrespeitou um princípio dele ou falou mal de Deus...", conta Mutarelli, que por sinal é filho de delegado de Polícia e irmão e neto de policiais.
Qualquer que seja o atrativo principal das aventuras de Diomedes, no entanto, o certo é que o detetive deu certo e seu "charme" já fez com que ele escapasse da morte - Mutarelli pretendia usá-lo apenas em uma história e matá-lo no final, mas acabou se rendendo ao personagem. E mais: já planeja o terceiro número da série, que deverá se passar em Lisboa. Os leitores e os apreciadores de bons roteiros agradecem.

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