|
|
Gen Pés Descalços Argumento, roteiro e arte: Keiji
Nokazawa
Gen/Keiji era uma criança alegre e despreocupada quando o Império Nipônico entrou na Segunda Guerra Mundial. Vivendo na bela cidade de Hiroshima, desde cedo o garoto teve sua vida alterada pelo conflito. Primeiro, foi obrigado a agüentar as provocações feitas à própria família porque seu pai era um pacifista e vivia discursando contra a guerra, o que fazia que fosse rotulado de traidor, para dizer o mínimo. Além disso, a família sofria com a falta de dinheiro e alimento gerada pelos combates. No dia 6 de agosto de 1945, porém, a bomba cai em Hiroshima e Gen é salvo por um incidente: estava atrás do muro da escola, que caiu sobre ele o salvando de um destino pior. A mãe, grávida de nove meses, também teve ajuda da providência divina: pendurava roupas no varal e acabou protegida por uma parte do telhado da casa. O pai e dois irmãos não tiveram a mesma sorte; a casa caiu sobre eles e Gen e a mãe os viram consumir-se nas chamas, fugindo do local por uma ordem do próprio pai agonizante. A partir daí começa uma história (real, não custa frisar) de superação humana.
Keiji Nokazawa, o verdadeiro Gen, lançou a obra entre 1972 e 1973 na revista Shonen Jump e, ainda hoje, ela é utilizada como bibliografia em escolas japonesas e estadunidenses quando o assunto é Segunda Guerra. Inicialmente, porém, o autor não queria desenhar aquela que se tornou sua mais famosa história. “Eu queria apenas esquecer os horrores de tudo aquilo. Quando me tornei cartunista, a última coisa sobre a qual queria escrever era sobre aquilo. Eu odiava a simples menção da palavra e achava que quadrinhos eram pra se divertir”, diz ele, que em seus primeiros trabalhos enfocava temas como beisebol e aventuras juvenis. No entanto, a postura de Keiji mudou radicalmente em 1966, com a morte da mãe. “Minha mãe morreu padecendo de uma série de diferentes enfermidades, sua vida havia sido um sofrimento constante após a bomba. Quando seu corpo foi cremado, descobri algo que me fez tremer de raiva: não sobrara nada de seus ossos. Geralmente os ossos resistem à cremação, mas o césio radioativo tinha devorado o esqueleto de minha mãe... A bomba atômica tinha tirado tudo de mim, até os ossos de minha querida mãe. O ódio ferveu dentro de mim e pela primeira vez eu me confrontei com a bomba”, conta.
Mas que o leitor não se engane: em Gen, não há final feliz. Ler a história é absolutamente fundamental para qualquer ser humano e a lição de como podemos nos superar é extremamente forte. Mas não há como ler Gen Pés Descalços sem se emocionar, chorar de tristeza ou passar, no mínimo, uma noite sem dormir tentando refletir, inutilmente, sobre como a humanidade pode ser tão desumana. CONFIRA OUTRAS OBRAS DA GIBITECA BÁSICA COMENTE ESTA MATÉRIA NO NOSSO FÓRUM
|