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Gibiteca Básica - Fevereiro de 2003

Orquídea Negra

Argumento e roteiro: Neil Gaiman
Arte: Dave McKean
Ano de lançamento: 1990

Neil Gaiman e Dave McKean notabilizaram-se pela série The Sandman, um cult das HQs celebrado por todos os leitores que gostam de um boa história e argumentos irretocáveis (que ficam sempre a cargo de Gaiman; Mckean era o capista de Sandman). Curiosamente, Sandman surgiu, de certa forma, para promover a também excelente Orquídea Negra. Gaiman e McKean elaboraram a história originalmente em 1987.

Seria primeira HQ de Gaiman para a DC e ele queria trabalhar com outros personagens, mas todos já estavam "prometidos" a outros argumentistas. Então o inglês sugeriu a mulher-flor que a DC havia criado em 1973, para a revista Amazing tales, e que estava há muito esquecida (tão esquecida que quando Neil sugeriu trabalhar com "Black Orchid" a Dick Giordano, vice-presidente da DC, este respondeu: "Quem? Black Hawk Kid?).

A sugestão, porém, foi aceita, e a dupla estava com a história pronta já em 1987, mas a DC a considerou boa demais e queria que um trabalho menor da dupla saísse antes, para que os dois se tornassem mais conhecidos e a Orquídea vendesse mais. No fim, o "trabalho menor"acabou sendo Sandman (lançado em 1989) e Orquídea Negra saiu em 1990.

A minissérie "Black Orchid" foi lançada originalmente em três edições, publicadas aqui no Brasil inicialmente pela editora Globo, em meados de 92, e republicada agora em 2002/2003 pela Opera Graphica (cada exemplar pode ser encontrado por R$ 7,90 nas lojas do HQClub). Trata-se de um típico resultado da dupla Gaiman/McKean: leia-se Arte Soberba e Argumento de Primeira.

A história mostra como Philip Sylvian, um botânico que estudou na mesma classe de Pamela Isley (futura Hera Venenosa, ininiga de Batman) e Alec Holland (que se tornaria o Monstro do Pântano), desenvolveu criaturas mistas de planta e ser humano. As tais criaturas, geradas a partir de orquídeas, foram feitas à imagem de uma outra botânica por quem Sylvian era apaixonado.

O problema é que cada uma das plantas carrega em si uma espécie de memória genética que é despertada conforme cresce, mas uma série de incidentes pode impedir estas memórias de despertarem totalmente. As criaturas têm poderes enormes e uma tendência a fazer o bem, mas não sabem se devem se importar mais com plantas ou seres humanos.

Tudo isso talvez não fosse problema, até o momento que o ex-marido da musa que inspirou as Orquídeas de Sylvian sair da cadeia e envolver Lex Luthor na história. Luthor, então, passa a fazer de tudo para dominar o segredo das Orquídeas. Ao mesmo tempo, duas delas - uma adulta e uma criança - tentam manterem-se vivas, longe de Luthor e reiniciar o plantio de sua raça.

A história, além de ecologicamente instigante, muito bem roteirizada e lindamente ilustrada, tem alguns extras para os leitores, como a participação especial de Batman e do Monstro do Pântano. Além disso, os leitores brasileiros vão ficar felizes pelo fato de Gaiman levar a Orquídea em um determinado momento da HQ para a Amazônia. E pasmem: uma Amazônia corretamente desenhada, com índios locais bem pesquisados e até citação da lenda folclórica brasileira do Curupira. Gaiman, como se vê, sempre fez direitinho sua lição de casa para não falar besteiras e dar a seus leitores boas histórias. Orquídea Negra é uma das melhores.

Abaixo, alguns comentários de jornais brasileiros feitos à época do lançamento original de Orquídea Negra:

Jornal de Brasília: "O mundo dos quadrinhos nas bancas está mais roxo, um pouco mais vegetal e de uma fortaleza feminina sedutora"

O Estado de São Paulo: "Orquídea Negra, uma flor contra o crime organizado"

Folha de São Paulo: "Ela vive num mundo mais perigosamente triste que o dos Comics convencionais, mas não impõe seus trunfos nele para mudá-lo"

Jornal do Brasil : "...uma história bizarra"

Jornal da Tarde: "Tão importante quanto as mil palavras de Neil Gaiman são as imagens do artista plástico Dave McKean. A Orquídea Negra ganhou uma origem e dois pais ilustres"

Tribuna da Bahia: "Um enigma de rara beleza e poesia"

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