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A Educação está no Gibi - Experiências

Uma breve história de porquês...

Em 1952, o quadrinista Will Eisner deixou de desenhar The Spirit, seu personagem de maior sucesso e que estava então em pleno auge, porque decidiu se dedicar a outro tipo de histórias em quadrinhos: as educativas. “Sempre entendi que quadrinhos eram mais que diversão e na Segunda guerra eu entendi que eles poderiam ser uma arma para ensinar. Comecei a usar as HQs para divulgar ensinamentos aos soldados e, quando deixei o pentágono, continuei usando as histórias no ensino por meio de minha empresa”, conta Eisner, que passou a produzir não só ensinamentos em quadrinhos, como também adaptou uma série de grandes clássicos da literatura para a linguagem das HQs.
No Brasil, nem todos conhecem Will Eisner, mas muita gente está ciente do poder da linguagem dos quadrinhos e sobre como ela pode ser utilizada no ensino. Basta lembrar que vivemos em um país com tristes índices de analfabetismo funcional e no qual boa parte dos estudantes encara os livros como inimigos a serem vencidos em uma guerra, mas a maioria destes mesmos alunos não dispensa um gibizinho - quer seja ele uma Mônica, um Disney, um quadrinho de herói, cowboy ou até erótico.
Esse potencial não tem passado despercebido de professores das redes pública e privada. Pessoalmente, tenho observado o crescimento do interesse e da utilização dos quadrinhos nas palestras que dou em escolas, a maioria delas pelos ótimos projetos Correio Escola e Diário Educação, promovidos pela Rede Anhangüera de Comunicação nas escolas de Campinas e região. A participação dos mestres nas oficinas e seminários sobre HQs é crescente e, além de demonstrarem cada vez mais interesse por minhas histórias e informações, a cada ano que passa são eles, professores, que me relatam novas experiências bem sucedidas em sala de aula. O gibi, dizem, é uma forma eficiente e divertida de ensinar.
E as experiências do gênero não se resumem à região de Campinas. O cartunista Jal, em conversa telefônica, me revelou que está organizando e escrevendo um livro sobre o assunto, já que também ele dá palestras nas escolas de São Paulo, no projeto educativo do Grupo Folhas, e, assim como eu e todos os demais interessados, tem notado uma grande demanda em torno de informações sobre o assunto.
Este espaço visa justamente preencher a lacuna. Aqui, serão relatadas experiências e formas para se usar as revistas - não apenas as minhas ou as de outros colegas jornalistas e pesquisadores, mas também as suas, professor. Você pode nos enviar um relato sobre o trabalho que desenvolveu, com seu nome e o da escola onde ele foi levado a cabo, e o publicaremos com prazer. Temos aqui, ainda, a relação de algumas escolas e cursos, e ainda uma bibliografia que inclui livros sobre o assunto, para os interessados em aprofundar a pesquisa.
Espero, de todo o coração, que o conteúdo aqui encontrado seja útil a todos, alunos, pais e professores (afinal, todos somos um pouco de cada). E conto, sempre, com a colaboração de todos vocês.
Atenciosamente,

Dario Carvalho Júnior (DJ),
Junho de 2000

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