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Caverna
do Dragão
17
de setembro de 1983. Naquele sábado, as crianças dos
Estados Unidos assistiram pela primeira vez as aventuras de seis
garotos - Hank, Sheila, Bobby, Presto, Diana e Eric - em um mundo
de fantasia, no qual foram parar depois de entrarem em um estranho
brinquedo (chamado Dungeons and Dragons) em um Parque de Diversões.
Começava ali a primeira
de uma série de 27 aventuras que, durante três anos,
cativaram milhares de fãs em todo o mundo.
No Brasil, o desenho - criado em parceria pela TSR (que fazia os
games de RPG Dungeons and Dragons) e a Marvel Productions - chegou
ainda na década de 80, no programa infantil Xou da Xuxa.
Muitos marmanjos, porém, se apaixonaram de cara pelo desenho
que misturava na medida certa aventura e fantasia.
O
"primeiro desenho", que mostra como os garotos chegaram
naquele mundo, nunca foi feito. Na realidade, isso era mostrado
na abertura do desenho, que tinha pouco menos de um minuto. Nela
apareciam os garotos entrando em um carrinho do brinquedo 'Dungeons
and Dragons', uma espécie de Trem Fantasma. Mas assim que
o carrinho entra no brinquedo,
os seis são jogados para um outro mundo, sem entender nada e já
com estranhas roupas. Uni aparece e vai ao encontro de Bobby, fugindo
de Tiamat, que aparece logo em seguida.
Os garotos correm do dragão, enquanto o Mestre dos Magos (que estava
observando tudo) vai dando à eles suas armas mágicas. De repente
aparece o Vingador, que luta contra Tiamat e, na batalha, ambos
acabam se afastando dali. O Mestre dos Magos se apresenta à eles
e aí acaba a abertura, que obviamente a Rede Globo (como
sempre faz) cortou logo nos primeiros episódios, afinal tempo
de exposição na TV é (muito) dinheiro.
Cada um dos garotos recebe roupas e armas compatíveis com
personagens de RPG (bem, quase todos...). Hank se torna um ranger,
armado com um arco de flechas de luz, Presto um mago (com chapéu
mágico), Eric um cavaleiro com escudo mágico,
Bobby um bárbaro com uma clava poderosíssima, Sheyla
ganha uma capa de invisibilidade (uma ladra, talvez?) e Diana ganha
uma vara mágica (se alguém souber qual classe de herói
de RPG usa uma, favor avisar...)
O misterioso Mestre dos Magos aparece em todos os episódios
dando pistas aos garotos que sugerem um caminho para casa. Ao procurarem
por eles, no entanto, os meninos acabam encontrando os mais diversos
tipos de monstros e vilões e, a cada desenho, vão
livrando aquele mundo de um pouco do mal que existe ali - cujo principal
representante é o terrível Vingador.
O desenho chegou ao fim abruptamente e, logo depois, começaram
a circular boatos absurdos que afirmavam que na realidade Caverna
do Dragão era um desenho sobre seis crianças que haviam
morrido em um acidente em um Parque de Diversões. Segundo
os boatos, o último desenho mostrava que o reino era na verdade
o Inferno e o Mestre dos Magos era o demônio, que os confundia
para manter suas almas ali. Por esta mesma teoria, o dragão
de cinco cabeças Tiamati (que na verdade era uma Rainha Dragão,
apesar da dublagem brasileira colocar uma voz masculina) seria um
anjo que tentava libertar os garotos.
A
teoria absurda, porém, foi desmentida pelos criadores do
desenho, que divulgaram então, amplamente, o script do último
capítulo, Réquiem (clique
aqui para ler, na íntegra, a história do último
desenho). Neste último episódio, após muita
briga e aventuras, os garotos libertavam o Vingador de uma maldição
e ele se tornava bonzinho. Na verdade, quem assistiu os outros episódios
já tinha percebido pistas de que havia uma maldição
sobre o vilão.
Em um deles (cemitério dos dragões), o Mestre dos
Magos já havia chamado o Vingador de "filho" e
em outro, dizia aos garotos: "O Vingador foi MEU erro".
E, realmente, como é revelado no último episódio,
o Vingador era o filho do Mestre e, uma vez terminada a maldição,
ambos abrem um portal para os garotos voltarem. Só que o
anãozinho diz aos garotos que, se eles quiserem, podem continuar
por ali vivendo novas aventuras e derrotando outras forças
do mal (o demônio das sombras,
talvez?).
A decisão dos garotos ninguém fica sabendo, porque
o desenho acaba aí. Na realidade, isso foi uma tática
dos roteiristas, já que ninguém queria que o desenho
acabasse. Desta forma, caso outra produtora quisesse comprar os
direitos e investir em uma continuação
do desenho (o que infelizmente não aconteceu), a porta estaria
aberta.
Ainda hoje, os desenhos de A Caverna do dragão passam nas
manhãs globais, mas não têm tantos fãs,
principalmente porque os episódios são repetidos à
exaustão. Ainda assim, os antigos fãs
continuam a adorar o desenho, que tem até mesmo um site exclusivo
no Brasil. Por sinal, se você é fã, vale a pena
visitar, pois lá tem de tudo sobre os personagens (de descrição
e poderes até ficha de dublagem), imagens, som e muito mais.
Dá até para lembrar, por exemplo, quais eram as cores
das cinco cabeças
de Tiamat e o que cada uma delas cuspia... Ficou curioso? Então
clique aqui e se divirta. Mas cuidado pra não cair do
carrinho...

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