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por
José Roberto Pereira
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Animecon... con... como?
Não
que eu seja contra convenções, mas... Sim, eu sou contra. Não que
eu ache chato sair de minha linda casa, deixar de lado minha esposa
sedenta de amor e desejo (não, ela não é nada disso), andar por
dezenas de dias e noites pelas ruas frias de São Paulo e ir até
um lugar chamado... AnimeCon!
Mas o que me levou a encarar esse trabalho vexaminoso? Foi por dinheiro?
Foi por ódio? Foi por sexo? Não, eu tava sem fazer nada, mesmo.
Enfim, deixando de lado essa embromação toda, passei a mão em minha
capa, coloquei meu escafrandro, joguei tudo isso fora e abri o e-mail
spam do pessoal que diz estar armando a AnimeCon. O nome do organizador
não me era estranho. Um tal de Sergio Peixoto, editor de uma revista
aí chamada Anime Ex.
Ex
Anime? Um anime que se foi? Não. A Anime Ex é uma revista da Editora
Trama. E essa revistinha é isso mesmo: revistinha. Sergio Peixoto
é foragido da Editora Magnum, aonde editava a revista Animax. Com
o fim da Animax devido às baixas vendas, ele encontrou guarita
na Trama. Sedento de fama, fortuna e sabe-se lá Deus o que mais,
Peixoto assume para si a badalação louca em cima do evento. Evento?
MAS É UM EVENTO???
Pois é, Zezinho, é um evento mesmo. Um evento que reúne diversas
atrações para os mais variados apetites: tem exibição de desenho
animado japonês, venda de revistinhas pseudo-informativas (se você
tem Internet não precisa dessas coisas) e mangás japoneses vindos
diretamente da Liberdade. Os preços de tudo na AnimeCon mostram
exatamente aonde foi parar meu saco: na LUA! Porque se tem uma coisa
que não gosto é de ser rotulado. Me chamam de goiaba, de bobão,
de moleque. Mas meu pai, Deus o tenha, rolaria na sepultura se alguém
me chamasse de "otaku".
Minha senhora, a senhora deixa chamarem o seu Zezinho de "otaku"?
Pois é, o e-mail spam da AnimeCon chama os fãns de produções japonesas
de "otakus". Tem que ver aonde enfiam esses otakus, né, minha senhora?
Se for naquele refrigerante japonês...
Há
atrações na AnimeCon? Há. Vai estar lá a Kira. Que Kira?
Aquela mina que apresenta o programa BandKids (aí do lado)!
Aliás, Zezinho, ela não tem aqueles olhos de verdade, não. Ela usa
lentes. E outra, ela não tem voz. Aquilo que ela pronunicia é uma
taquara rachadona, alegria de qualquer fonoaudióloga. Dizem até
que ela tem silicone aqui e acolá, mas este escriba não tirou a
mão da capa para tatear na moça e confirmar. E eu nem faria isso,
já que de artificial bata o QuiSuco que eu bebo.
Uma coisa que me toca é o voluntarianismo desse povo. A molecada
"trabalha" de graça. Diz o e-mail que recebi aqui em minha bat-caverna
que quem se prontificar a ajudar poderá entrar de graça. Idílico,
não? Bandeirantes, Capcom, editoras, importadoras de mangá investindo
na promoção da coisa... e nem pra contratar gente para ajudar nos
trabalhos braçais, né? Por isso que não se acaba a escravidão no
país!
Outro
evento da AnimeCom: montar Garage Kits. Isso aí é um Kit Revell
de mulher pelada. Naturalmente é um curso pago e seu filho, filha
ou drosófila sairá do evento sabendo montar mulher pelada e robozinho
em resina. Uma profissão de futuro lhe será garantida, não? Preço
dos ingressos: inicialmente eram 15 reais para os quatro dias, agora
são 18 e na hora são 6 por dia de evento. De acordo
com o e-mail spammico, 350 sujeitos compraram os ingressos de R$
15. São 5.250 reais para o bolso de alguém. Para o MEU bolso é que
não foi, minha senhora. Seria interessante haver uma prestação de
contas desse evento, não seria? Ainda na AnimeCon haverá lançamento
das tralhas da editora Kindom Comics, aquela mesma editora cujo
dono, dizem, só tem a parada funcionando porque mãe banca tudo.
Este humilde escriba desconfia desses boatos desairosos, mas tem
certeza: as revistinhas desse editora são uma porcaria mesmo.
Vale seu esforço ir lá apenas por isso? Enfim, minha senhora e Zezinho,
meu amado e priápico editor desta página me engarregou (na verdade
ele mandou) eu escrever a respeito. Escrevi, pois. Siga meu conselho:
não vá lá. Não porque eu sou um chato de galochas, mas não vá por
um simples motivo: Sérgio Peixoto é um chato. Obrigado.
*
José Roberto Pereira sabe
tudo de Mangá e Anime,
mas diz que o pessoal da AnimeCon não vai com a cara dele...
por que será?
Saiba mais sobre ele e seu trabalho na página do Estúdio
Black Knight
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O
evento segundo a organização
A
organização da Animecon 2000 promete realizar em São Paulo,
de 12 a 15 de outubro, a maior convenção de anime e mangá
do Brasil. Em sua última versão (em 99), segundo a organização,
o evento atraiu mais de 3.200 visitantes. Estão programadas
para este ano atividades durante todos os dias, que incluirão
cursos de mangá (o quadrinista Daniel
HDR, que desenha os Digimon para os EUA, estará ministrando
algumas aulas), jogos de RPG baseados em animes e mangás,
debates com o pessoal da área, salas de jogos dos pokémon
(o evento tem apoio da Nintendo) e outras atrações. Famosos
e candidatos à fama na área estarão presentes (entre
eles Fábio Yabu, autor dos Combo
Rangers e Kira, apresentadora da Band Kids) e, claaaaro,
haverá vários estandes de lojas vendendo produtos que têm
a ver com mangás e animes - chaveiros, brinquedos, bonecos,
cards, fitas de vídeo, fantasias, abridores de lata... Os
organizadores também prometem exibir alguns animes inéditos
na TV e nos cinemas brasileiros (confira a programação completa
na página do Animecon).
A organização promete lotar os 6000 metros quadrados da
Fundação Cásper Líbero (na Avenida Paulista, 900) com atrações
inesquecíveis para os fãs. Quem comprar ingresso com antecedência
para os quatro dias paga R$ 18,00. Quem deixar para pagar
na hora, paga R$ 6,00 por dia.
Mas afinal, quem tem razão, os organizadores, que prometem
o melhor, ou nosso renomado colunista JRP, que detona com
os caras? Só indo lá para saber...
(DJota, o amado e priápico
editor)
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