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Dragon
Ball, o mangá
por
Takanobu Sama *
Talvez
você já tenha parado na frente da TV e visto, em um
capítulo de Dragon Ball Z, um monte de gente esquisita dando
porrada em outro monte de gente esquisita e daí tenha pensado:
"Tá, mais um daqueles horríveis desenhos japoneses."
Pois saiba, meu amigo, que a história não é
bem assim. Dragon Ball Z é o anime que foi gerado por um
dos maiores - e mais legais - mangás já escritos na
terra do sol nascente.
A história é meio longa, por isso - apesar dos berros
do editor na minha orelha - vamos ter de dividí-la em capítulos,
OK? Pois bem, vamos começar com a ORIGEM DE DRAGON BALL.
O ano era 1984 e, em um belo mês de novembro, aparecia no
Japão pela primeira vez um mangá batizado como Dragon
Ball. A história, criada e desenhada pelo (já então)
famoso cartunista Akira Toriyama, era uma mistura de uma lenda chinesa
chamada Son Goku ("Senhor dos Macacos") e de Dragon Boy,
um outro título que Toriyama havia lançado. Aliás,
observe na foto aí em cima e veja que o jovem Son Goku (que
no desenho animado DBZ que você acompanha na Record aqui no
Brasil já é adulto e é o principal astro da
série) tinha um belíssimo rabo de macaco...
A
história começava apresentando este estranho e fortíssimo
menininho indo caçar - por sinal, se você tiver interesse,
corra para a banca porque a editora Conrad lançou as primeiras
histórias originais em versão em português,
por R$ 3,50 cada exemplar.
Na volta, Goku quase é atropelado por uma garota de cabelos
azuis chamada Bulma, que procura por uma Dragon Ball. Goku, por
sinal, nunca havia visto antes um carro e ataca o veículo
pensando ser um monstro. Aliás, Goku também nunca
tinha visto uma menina...
É que, como o leitor descobre a seguir, Goku foi encontrado
na floresta quando ainda era bebê por Son Gohan, que o adotou
como seu neto e o treinou nas artes marciais. Como ambos viviam
isolados, Goku não sabe o que é café, eletricidade,
carros, garotas...
O avô morreu e o pequeno continuou a viver sozinho e reverencia
uma bola que era do avô: uma Dragon Ball! É o que Bulma
explica a ele. Existem sete bolas iguais a aquela que, se reunidas,
convocam um dragão que concede um desejo ao portador das
sete (esse detalhe final parte ela não explica muito bem).
Bulma, que é um gênio da eletrônica, criou um
detector de dragon balls.
Como
Goku se recusa a ceder a dele, a garota o convence (pelo menos é
o que ela pensa) a seguir com ela procurando outras bolas pelo mundo
- cheio de monstros perigosos e alta tecnologia. Essa parceria rende
algumas das cenas mais engraçadas do mangá, entre
elas uma impagável: ao deitar no colo da adormecida Bulma,
Goku sente que não há ali a, digamos, protuberância
que ele esperava (ele não sabe o que é uma garota
e só convivia com o avô, lembra-se?). Ele, então,
tira as calcinhas da moça e se desespera ao não encontrar
nada ali. Acordada pelos berros, Bulma nem nota que está
sem calcinhas por baixo da saia e, após acalmar Goku (que
ela acha que teve um pesadelo), volta a dormir. No dia seguinte,
após várias aventuras, um velho safado chamado Kame
Sen Nin propõe à moça que mostre as calcinhas
em troca de um presente e ela o faz - sem saber que estava sem elas...
Esta "sensualidade cômica", por sinal, é
marca registrada do mangá Dragon Ball e um dos grandes motivos
do sucesso da série em quadrinhos. Sucesso, aliás,
inquestionável: até 1995, só as HQs de Dragon
Ball venderam 109 milhões de exemplares (no Japão,
Europa e EUA).
As altas vendas começaram já de cara nas primeiras
aventuras, que foram prosseguindo de início com a dupla Goku
e Bulma - detalhe: o nome dela em japonês é um trocadilho
para "calcinhas", justamente a parte mais enfocada da
personagem na maioria das HQs.
A
primeira série, por assim dizer, de histórias vai
apresentando outros personagens (como Yamcha, o ladrão do
deserto, e o vilão Pilaf, o anãozinho azul aí
ao lado) e alguns eventos importantes, como a perda da cauda de
Goku - em um determinado episódio ele se transforma em um
gigantesco lobisomem e para detê-lo Yamcha corta o rabo do
garoto, que era sua fraqueza.
Também
nesta primeira fase o vilão Pilaf consegue reunir as sete
Dragon Balls pela primeira vez e invoca o dragão verde Sheng-Long
para fazer seu pedido de conquistar o mundo. Só que nossos
her'óis conseguem evitar e o pedido que acaba sendo feito
faz com que surja (adivinhe) a calcinha de Bulma, claro...
Ainda nesta fase, Goku passa por treinamentos e vai crescendo até
se tornar um jovem adolescente, começa a namorar e logo se
casa, além de começar a descobrir o segredo de sua
origem, que, diga-se de passagem, é interplanetária.
Mais ou menos nesta época, em 1986, a Toei Animation resolve
criar um desenho animado (anime) sobre o mangá e assim surge...
Dragon
Ball Z.
Na verdade, no mangá não houve a diferenciação
entre Dragon Ball e Dragon Ball Z, ou seja, a fase dos personagens
adultos - que é a mostrada na TV - ficou dentro das aventuras
do mesmo gibi, ou melhor, mangá, com o mesmo nome. No entanto,
trata-se de uma nova fase com aventuras bem diferentes e mais completas,
e principalmente com mais batalhas entre guerreiros super-poderosos.
Mas sobre elas a gente volta a falar no segundo capítulo
desta inédita saga...
Dragon Ball Z.
*
Taka
Sama nasceu com um rabo de
macaco e até hoje ninguém cortou fora o dito cujo.
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