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HQ Coisa

Em Piracicaba, humor faz escola,
ou melhor, a universidade
Até 18 de agosto, a cidade mostra o que há de melhor em cartuns, HQs, charges e caricaturas no VIII Salão Universitário de Humor

Há quem diga que os 500 anos do Brasil não passam de uma grande piada. Está errado. Na verdade, são várias. Desde o dia 16 de junho, Piracicaba está promovendo o VIII Salão Universitário Latino-Americano de Humor, com cerca de 400 trabalhos de cartum, charges, HQs e caricatura. Pela primeira vez desde sua criação, o salão universitário está trabalhando com um tema específico: 500 anos de Brasil. E o resultado não poderia ter sido diferente: humor de alta qualidade, como, aliás, já se espera de uma cidade que anualmente realiza um dos maiores salões do gênero no mundo, o Salão Internacional de Humor de Piracicaba (marcado este ano para ocorrer de 26 de agosto a 15 de outubro).
A abertura do salão universitário teve a presença de Ziraldo (leia entrevista exclusiva), eleito como grande homenageado deste ano e que está expondo os principais trabalhos de sua carreira. Também compareceram à abertura, entre outros, os cartunistas Angeli, Adão e Dálcio - este último, campineiro premiado em outras edições do salão e hoje parte do júri que elege os melhores trabalhos -, além de especialistas em quadrinhos, como a professora Sônia Luyten, a maior autoridade brasileira em Mangás (quadrinhos japoneses).

PROGRAMA DE ÍNDIO

Só podem participar do Salão Universitário trabalhos desenvolvidos por alunos de universidades, na graduação ou pós-graduação. Por se tratar dos 500 anos do Brasil, no entanto, foi feita uma “exceção honrosa”, que deve ser conferida de perto. Dois índios Juruna, do parque do Xingu, estarão expondo seus desenhos do salão.
“Descobrimos, por de uma professora da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) que está trabalhando com uma aldeia Xingu, que não existe na cultura indígena o conceito de desenho de humor. Essa professora trabalhou o humor nas lendas da cultura indígena e outros tipos de humor entre eles, mas não havia o desenho. Então surgiu a proposta deles fazerem desenhos de humor, que estaremos expondo aqui”, conta Camilo Riani, presidente da comissão organizadora do salão.
Além dos trabalhos dos índios e dos universitários brasileiros, também serão expostos - e premiados, em até US$ 500,00 para o melhor de cada categoria - trabalhos de universidades estrangeiras. “De fora do país, a maior parte dos inscritos vêm do México”, conta Riani. Ele ressalta que vários cartunistas e quadrinhistas de talento fizeram seu “debut” nos corredores do salão anualmente realizado no campus da Unimep. “O Rodrigo Rosa, por exemplo, que hoje está no Estadão, foi revelado pelo salão de humor de 98. O Dálcio também ganhou em 98.”

É A PINGA

Mas, afinal de contas, o que transformou Piracicaba, uma típica cidade de porte médio do interior paulista, em uma capital dos quadrinhos internacionalmente conhecida? Para Riani, a fama de Pira começou mesmo com o primeiro Salão Internacional, em 1974. “Naquele ano, o Adolfo Queiroz e outros jornalistas tiveram a idéia e a levaram para o Zélio Alves Pinto, irmão do Ziraldo, para tentar viabilizá-la.. O Zélio achou ótimo porque estávamos em plena Ditadura Militar e Piracicaba ficava fora do foco da censura. O salão foi um sucesso e de cara já começaram a surgir grandes nomes. O Laerte, por exemplo, foi o primeiro a ganhar um salão”, diz.
Pode até ser que a vocação de Piracicaba para os quadrinhos tenha começado aí, mas como explicar o crescimento do salão e dos demais salões, eventos e maníacos por quadrinhos que surgiram na cidade? “Bom, é que além disso temos a pinga e o famoso Rio de Piracicaba. Deve ser isso”, brinca Riani.
O VIII Salão Universitário Latino-Americano de Humor de Piracicaba vai de 16 de junho a 18 de agosto de 2000, no campus Taquaral da Unimep (Rodovia do Açúcar, km 156, fone (19) 430-1574). A exposição fica aberta de segunda a sexta, das 8 às 22 horas, e aos sábados, das 8 às 18 horas. Maiores informações, na homepage da universidade (www.unimep.com.br).
A abertura, hoje, começa às 19h30, com uma peça de teatro (comédia) do grupo Andaime. Às 21 horas se inicia a premiação e homenagens e às 21h30 será aberta a exposição.