|

|
Mangá:
o estilo japonês conquista o Brasil
A
palavra Mangá era um mistério total para os brasileiros não-aficcionados
a quadrinhos, até pouquíssimo tempo atrás. Apesar de o Brasil ter
uma das maiores especialistas no assunto - a professora Sônia M.
Bibe Luyten - e desde os primórdios da nossa televisão exibirmos
vários desenhos animados japoneses (anime) que surgiram de mangás
- como A Princesa e o Cavaleiro, Fantomas e Speed Racer,
para manter a lista curta -, o mangá só ganhou espaço mesmo nas
bancas e no dia-a-dia brasileiro na década de 90.
Analisar
os porquês desse fenômeno é tarefa complicada. Com certeza, a popularização
teve influência do fenômeno Akira, um belíssimo Mangá de
Katsuhiro Otomo lançado pela editora Globo no começo dos anos 90
(também lançado nos cinemas em desenho animado), assim como desenhos
como Os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z conquistaram
um novo público para o traço.
Da mesma forma, várias editoras descobriram que o traço mais rápido
do mangá conquistava os leitores mais jovens com facilidade - provavelmente
em decorrência dos desenhos - e apostaram em lançamentos neste estilo
(a editora Trama, por exemplo, tem dois títulos fixos de Mangá nas
bancas até o momento - setembro de 2000 -, Holy Avenger e
Victory).
Independentemente
de quais sejam os motivos, o fato é que a palavra - e o estilo -
Mangá está se tornando mais conhecido. Personagens de olhos grandes,
traço simples (por vezes transformado em infantil) com direito a
gotas de suor e sangue, uma certa dose de violência (que tem sua
raiz cultural no Bushido, ou código do Samurai) e até mesmo uma
sensualidade comedida.
Estas características são comuns à maioria dos mangás, mas, afinal,
como surgiu o estilo japonês das HQs?
Origens
A
palavra Mangá se origina da união de duas palavras do alfabeto Kanfi
(um dos três existentes no Japão): Manketsu (conto ou história)
e Fáshiko (ilustração). O mangá mais antigo já encontrado data de
1702 (Tobae Sankokushi) e já tinha divisào em quadrinhos e balões.
A origem dos mangás é o Teatro das Sombras ou Oricom Shohatsu, no
qual um grupo de artistas japoneses percorria vilarejos - na época
feudal - contando lendas por meio de fantoches. As lendas acabaram
sendo escritas em rolos de papel e ilustradas, dando origem a histórias
seqüenciais. As editoras de mangá no Japão começaram a se desenvolver
em 1920 e viveram um grande auge até a década de 40.
Com a segunda guerra mundial, a produção foi interrompida, mas voltou
após 45, graças em parte ao plano Marshall, que destinou verbas
para os livros japoneses. Com uma população estimulada a ler e poucas
atrações culturais - a guerra havia destruído a maioria dos lugares
destinados à cultura e ao ensino de artes -, as editoras de mangá
viveram um de seus maiores booms.
É nesta época, por sinal, que surge Ossamu Tezuka, o "Walt Disney
Japonês". Entre outros, Tezuka criou A Princesa e o Cavaleiro
(ou princesa Safiri, ou Ribon No Kishi), o Menino Biônico
e Kimba. Mais
ainda, o autor criou o estilo mais presente nos mangás: os olhos
grandes dos personagens, presentes até hoje e que transformaram
o nome de Tezuka no do maior desenhista japonês de HQs.
Outro grande destaque entre os quadrinistas japoneses foi a dupla
Kazuo Koike e Goseki Kojima, que criou o famoso Ronin Yasha,
bem mais conhecido entre os fãs brasileiros como Lobo
Solitário - o personagem teria gerado admiração
até mesmo por parte do quadrinista americano Frank Miller,
que, ao que consta, "bebeu" na fonte do Lobo para
criar seu Ronin. O Lobo, por sinal, não foi o único
Mangá famoso de Koike: mais tarde, ele criaria Crying
Freeman.
A
maioria dos mangás acabou indo para a TV, em forma de desenho animado
(anime). Entre os mais famosos, além da já citada princesa Safiri,
vieram Speed Racer (no original, Go Mifume), uma versão
japonesa (e depressiva) de Pinóquio e posteriormente Sailor
Moon, Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z, entre
outros. Já Pokémon, um dos favoritos da criançada, se originou de
um videogame da intendo, mas antes de virar anime também passou
pelo Mangá.
|
Bibliografia
Escolas
e Cursos
Experiências
|